{"id":1056,"date":"2009-02-15T00:00:00","date_gmt":"2009-02-15T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espai-marx.net\/?p=1056"},"modified":"2020-02-25T04:41:57","modified_gmt":"2020-02-25T03:41:57","slug":"entrevista-a-istvan-meszaros-solucao-neokeynesiana-e-novo-bretton-woods-sao-fantasias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espai-marx.net\/?p=1056","title":{"rendered":"Entrevista a Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e0ros: \u00abSolu\u00e7\u00e3o neokeynesiana e novo Bretton Woods s\u00e3o fantasias\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>\u00abLuk\u00e1cs costumava dizer, com bastante raz\u00e3o, que sem estrat\u00e9gia n\u00e3o se pode ter t\u00e1tica. Sem uma perspectiva estrat\u00e9gica desses problemas voc\u00ea n\u00e3o pode ter solu\u00e7\u00f5es do dia-a-dia\u00bb.<\/p>\n<p><b>Entrevista a Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e0ros: \u00abSolu\u00e7\u00e3o neokeynesiana e novo Bretton Woods s\u00e3o fantasias\u00bb<\/b><\/p>\n<p><b>Em entrevista \u00e0 revista inglesa <i>Socialist Review<\/i>, Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e0ros, um dos principais pensadores marxistas da atualidade, analisa a crise econ\u00f4mica mundial e critica aqueles que apostam que ela ser\u00e1 resolvida trazendo de volta as id\u00e9ias keynesianas e a regula\u00e7\u00e3o. \u00ab\u00c9 uma fantasia que uma solu\u00e7\u00e3o neo-keynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais\u00bb, defende M\u00e9sz\u00e0ros. Para ele, estamos vivendo a maior crise na hist\u00f3ria humana, em todos os sentidos.<\/b><\/p>\n<p><i>&#8211; A classe dominante sempre \u00e9 surpreendida por crises econ\u00f4micas e fala delas como fossem aberra\u00e7\u00f5es. Por que voc\u00ea acha que as crises s\u00e3o inerentes ao capitalismo?<\/i><\/p>\n<p>Eu li recentemente Edmund Phelps, que ganhou o Pr\u00eamio Nobel de Economia, em 2006. Phelps \u00e9 um tipo de neokeynesiano. Ele estava, \u00e9 claro, glorificando o capitalismo e apresentando os problemas atuais como apenas um contratempo, dizendo que \u00abtudo o que devemos fazer \u00e9 trazer de volta as id\u00e9ias keynesianas e a regula\u00e7\u00e3o.\u00bb<\/p>\n<p>John Maynard Keynes acreditava que o capitalismo era ideal, mas queria regula\u00e7\u00e3o. Phelps estava reproduzindo a id\u00e9ia grotesca de que o sistema \u00e9 como um compositor musical. Ele pode ter alguns dias de folga nos quais n\u00e3o pode produzir t\u00e3o bem, mas se voc\u00ea olhar no todo ver\u00e1 que ele \u00e9 maravilhoso! Pense apenas em Mozart ? ele deve ter tido o velho e esquisito dia ruim. Assim \u00e9 o capitalismo em crise, como dias ruins de Mozart. Quem acredita nisso deveria ter sua cabe\u00e7a examinada. Mas, no lugar de ter sua cabe\u00e7a examinada, ele ganhou um pr\u00eamio.<\/p>\n<p>Se nossos advers\u00e1rios t\u00eam esse n\u00edvel de pensamento ? o qual tem sido demonstrado, agora, ao longo de um per\u00edodo de 50 anos, n\u00e3o \u00e9 apenas um escorreg\u00e3o acidental de economista vencedor de pr\u00eamio ? poder\u00edamos dizer, \u00abalegre-se, esse \u00e9 o n\u00edvel baixo do nosso advers\u00e1rio\u00bb. Mas com esse tipo de concep\u00e7\u00e3o voc\u00ea termina no desastre de que temos experi\u00eancia todos os dias. N\u00f3s afundamos numa d\u00edvida astron\u00f4mica. As d\u00edvidas reais neste pa\u00eds (Inglaterra) devem ser contadas em trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas o ponto importante \u00e9 que eles v\u00eam praticando orgias financeiras como resultado de uma crise estrutural do sistema produtivo. N\u00e3o \u00e9 um acidente que a moeda tenha inundado de modo t\u00e3o adventista o setor financeiro. A acumula\u00e7\u00e3o de capital n\u00e3o poderia funcionar adequadamente no \u00e2mbito da economia produtiva.<\/p>\n<p>Agora estamos falando da crise estrutural do sistema. Ela se extende por toda parte e viola nossa rela\u00e7\u00e3o com a natureza, minando as condi\u00e7\u00f5es fundamentais da sobreviv\u00eancia humana. Por exemplo, de tempos em tempos anunciam algumas metas para diminuir a polui\u00e7\u00e3o. Temos at\u00e9 um ministro da energia e da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, que na verdade \u00e9 um ministro do lero lero, porque nada faz al\u00e9m de anunciar uma meta. S\u00f3 que essa meta nunca \u00e9 sequer aproximada, quanto mais atingida. Isso \u00e9 uma parte integral da crise estrutural do sistema e s\u00f3 solu\u00e7\u00f5es estruturais podem nos tirar desta situa\u00e7\u00e3o terr\u00edvel.<\/p>\n<p><i>&#8211; Voc\u00ea descreveu os EUA como levando a cabo um imperialismo de cart\u00e3o de cr\u00e9dito. O que voc\u00ea quer dizer com isso?<\/i><\/p>\n<p>Eu lembro do senador norte-americano George McGovern na guerra do Vietn\u00e3. Ele disse que os EUA tinham fugido da guerra do Vietn\u00e3 num cart\u00e3o de cr\u00e9dito. O recente endividamento dos EUA est\u00e1 azedando agora. Esse tipo de economia s\u00f3 avan\u00e7a enquanto o resto do mundo pode sustentar sua d\u00edvida.<\/p>\n<p>Os EUA est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica porque tem sido o pa\u00eds dominante desde o acordo de Bretton Woods. \u00c9 uma fantasia que uma solu\u00e7\u00e3o neokeynesiana e um novo Bretton Woods resolveriam qualquer dos problemas dos dias atuais. A domina\u00e7\u00e3o dos EUA que Bretton Woods formalizou imediatamente depois da Segunda Guerra era realista economicamente. A economia norte-americana estava numa posi\u00e7\u00e3o muito mais poderosa do que qualquer outra economia do mundo. Ela estabeleceu todas as institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas internacionais vitais com base no privil\u00e9gio dos EUA. O privil\u00e9gio do d\u00f3lar, o privil\u00e9gio aproveitado pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional, pelas organiza\u00e7\u00f5es comerciais, pelo Banco Mundial, todos completamente sob a domina\u00e7\u00e3o dos EUA, e ainda permanece assim hoje.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode fazer de conta que isso n\u00e3o existe. Voc\u00ea n\u00e3o pode fantasiar reformas e regula\u00e7\u00f5es leves aqui e acol\u00e1. Imaginar que Barack Obama vai abandonar a posi\u00e7\u00e3o dominante de que os EUA disp\u00f5e, nesse sentido ? apoiada pela domina\u00e7\u00e3o militar ? \u00e9 um erro.<\/p>\n<p><i>? Karl Marx chamou a classe dominante de \u00abbando de irm\u00e3os guerreiros\u00bb. Voc\u00ea acha que a classe dominante vai trabalhar junta, internacionalmente, para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p>No passado o imperialismo envolveu muitos atores dominantes que asseguraram seus interesses mesmo \u00e0s custas de duas horrendas guerras mundiais no s\u00e9culo XX. Guerras parciais, n\u00e3o importa o qu\u00e3o horrendas s\u00e3o, n\u00e3o podem ser comparadas ao realinhamento do poder e da economia que seria produzido por uma nova guerra mundial.<\/p>\n<p>Mas imaginar uma nova guerra mundial \u00e9 imposs\u00edvel. \u00c9 claro que ainda h\u00e1 alguns lun\u00e1ticos no campo miliar que n\u00e3o negariam essa possibilidade. Mas isso significaria a destrui\u00e7\u00e3o total da humanidade.<\/p>\n<p>Temos de pensar as implica\u00e7\u00f5es disso para o sistema capitalista. Era uma lei fundamental do sistema que se uma for\u00e7a n\u00e3o pudesse ser assegurada pela domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica voc\u00ea recorreria \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>O imperialismo global hegem\u00f4nico tem sido conquistado e operado com bastante sucesso desde a Segunda Guerra Mundial. Mas esse tipo de sistema \u00e9 permanente? \u00c9 conceb\u00edvel que nele n\u00e3o surjam contradi\u00e7\u00f5es, no futuro?<\/p>\n<p>Algumas pistas vem sendo dadas pela China de que esse tipo de domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o pode avan\u00e7ar indefinidamente. A China n\u00e3o ser\u00e1 capaz de seguir financiando isso. As implica\u00e7\u00f5es e consequencias para a China j\u00e1 s\u00e3o bastante significantes. Deng Xiaoping uma vez disse que a cor do gato ? seja ele capitalista ou socialista ? n\u00e3o importa, desde que ele pegue o rato. Mas e se, no lugar da ca\u00e7ada feliz do rato se termine numa horrenda infesta\u00e7\u00e3o de ratos de desemprego massivo? Isso est\u00e1 acontecendo agora na China.<\/p>\n<p>Essas coisas s\u00e3o inerentes nas contradi\u00e7\u00f5es e antagonismos do sistema capitalista. Portanto, temos de pensar em resolv\u00ea-los de uma maneira radicalmente diferente, e a \u00fanica maneira \u00e9 uma genu\u00edna transforma\u00e7\u00e3o socialista do sistema.<\/p>\n<p><i>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 em parte alguma do mundo econ\u00f4mico desacoplamento dessa situa\u00e7\u00e3o?<\/i><\/p>\n<p>Imposs\u00edvel! A globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do desenvolvimento humano. Desde que o sistema capitalista se tornou claramente vis\u00edvel Marx teorizou isso. Martin Wolf, do Financial Times tem reclamado de que h\u00e1 muitos pequenos, insignificantes estados que causam problemas. Ele argumenta que seria preciso uma \u00abintegra\u00e7\u00e3o jurisdicional\u00bb, em outras palavras, uma completa integra\u00e7\u00e3o imperialista ? um conceito fantasia. Trata-se de uma express\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es e antagonismos insol\u00faveis da globaliza\u00e7\u00e3o capitalista. A globaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade, mas a forma em que \u00e9 exequ\u00edvel e sustent\u00e1vel \u00e9 a de uma globaliza\u00e7\u00e3o socialista, com base nos princ\u00edpios socialistas da igualdade substantiva.<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o haja desacoplamento na hist\u00f3ria do mundo, \u00e9 conceb\u00edvel que isso n\u00e3o signifique que em toda fase, em todas as partes do mundo, haja uniformidade. Muitas coisas diferentes est\u00e3o se desenvolvendo na Am\u00e9rica Latina, em compara\u00e7\u00e3o com a Europa, para n\u00e3o mencionar o que eu j\u00e1 assinalei sobre a China, o Sudeste Asi\u00e1tico e o Jap\u00e3o, que est\u00e1 mergulhado em problemas mais profundos.<\/p>\n<p>Vamos pensar no que aconteceu h\u00e1 pouco tempo. Quantos milagres tivemos no per\u00edodo do p\u00f3s-guerra? O Milagre Alem\u00e3o, o Milagre Brasileiro, o Milagre Japon\u00eas, o Milagre dos cinco Tigres Asi\u00e1ticos? Engra\u00e7ado que todos esses milagres tenham se convertido na mais terr\u00edvel realidade prosaica. O denominador comum de todas essas realidades \u00e9 o endividamento desastroso e a fraude.<\/p>\n<p>Um dirigente de um fundo hedge foi supostamente envolvido numa farsa envolvendo 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A General Motors e outras estavam pedindo ao governo norte-americano somente 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Que modesto! Eles deveriam ter dado 100 bilh\u00f5es. Se um fundo hedge capitalista pode organizar uma suposta fraude de 50 bilh\u00f5es, eles devem chegar a todos os fundos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Um sistema que opera nesse modo moralmente podre n\u00e3o pode provavelmente sobreviver, porque \u00e9 incontrol\u00e1vel. As pessoas chegam a admitir que n\u00e3o sabem como isso funciona. A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desesperar-se, mas control\u00e1-lo em nome da responsabilidade social e de uma radical transforma\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<p><i>? A tend\u00eancia inerente do capitalismo \u00e9 exigir dos trabalhadores o m\u00e1ximo poss\u00edvel, e isso \u00e9 claramente o que os governos est\u00e3o tentando fazer na Gr\u00e3 Bretanha e nos EUA.<\/i><\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que eles podem fazer \u00e9 advogar pelos sal\u00e1rios dos trabalhadores. A raz\u00e3o principal pela qual o Senado recusou a injetar 14 bilh\u00f5es de d\u00f3lares nas tr\u00eas maiores companhias de autom\u00f3veis \u00e9 que n\u00e3o puderam obter acordo sobre a dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. Pense no efeito disso e nos tipos de obriga\u00e7\u00f5es que esses trabalhadores t\u00eam ? por exemplo, repagando pesadas hipotecas. Pedir-lhes que simplesmente passem a receber metade de seus sal\u00e1rios geraria outros tipos de problemas na economia ? de novo, a contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Capital e contradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o insepar\u00e1veis. Temos de ir al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es superficiais dessas contradi\u00e7\u00f5es e de suas ra\u00edzes. Voc\u00ea consegue manipul\u00e1-las aqui e ali, mas elas voltar\u00e3o com uma vingan\u00e7a. Contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser jogadas para debaixo do tapete indefinidamente, porque o carpete, agora, est\u00e1 se tornando uma montanha.<\/p>\n<p><i>? Voc\u00ea estudou com Georg Luk\u00e1cs, um marxista que retomou o per\u00edodo da Revolu\u00e7\u00e3o Russa e foi al\u00e9m.<\/i><\/p>\n<p>Eu trabalhei com Luk\u00e1cs sete anos, antes de deixar a Hungria em 1956 e nos tornamos amigos muito pr\u00f3ximos at\u00e9 a sua morte, em 1971. Sempre nos olhamos nos olhos ? \u00e9 por isso que eu queria estudar com ele. Ent\u00e3o aconteceu que quando eu cheguei para estudar com ele, ele estava sendo feroz e abertamente atacado, em p\u00fablico. Eu n\u00e3o aguentei aquilo e o defendi, o que levou a todos os tipos de complica\u00e7\u00f5es. Logo que deixei a Hungria, fui designado sucessor, na universidade, ensinando est\u00e9tica. A raz\u00e3o pela qual deixei o pa\u00eds foi precisamente porque estava convencido de que o que estava acontecendo era uma variedade de problemas muito fundamentais que o sistema n\u00e3o poderia resolver.<\/p>\n<p>Eu tentei formular e examinar esses problemas em meus livros, desde ent\u00e3o. Em particular em \u00abA Teoria Aliena\u00e7\u00e3o em Marx\u00bb e \u00abPara Al\u00e9m do Capital\u00bb (*). Luk\u00e1cs costumava dizer, com bastante raz\u00e3o, que sem estrat\u00e9gia n\u00e3o se pode ter t\u00e1tica. Sem uma perspectiva estrat\u00e9gica desses problemas voc\u00ea n\u00e3o pode ter solu\u00e7\u00f5es do dia-a-dia. Ent\u00e3o eu tentei analisar esses problemas consistentemente, porque eles n\u00e3o podem ser simplesmente tratados no n\u00edvel de um artigo que apenas relata o que est\u00e1 acontecendo hoje, ainda que haja uma grande tenta\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo. No lugar disso, deve ser apresentada uma perspectiva hist\u00f3rica. Eu venho publicando desde que meu primeiro ensaio justamente substancial foi publicado, em 1950, num peri\u00f3dico liter\u00e1rio na Hungria e eu tenho trabalhado tanto como posso, desde ent\u00e3o. \u00c0 medida de nossos modestos meios, damos nossa contribui\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a. Isso \u00e9 o que tenho tentado fazer ao longo de toda minha vida.<\/p>\n<p><i>&#8211; O que voc\u00ea pensa das possibilidades de mudan\u00e7a neste momento?<\/i><\/p>\n<p>Os socialistas s\u00e3o os \u00faltimos a minimizar as dificuldades da solu\u00e7\u00e3o. Os apologistas do capital, sejam eles neokeynesianos ou o que quer que sejam, podem produzir todos os tipos de solu\u00e7\u00f5es simplistas. Eu n\u00e3o penso que podemos considerar a crise atual simplesmente da maneira que o fizemos no passado. A crise atual \u00e9 profunda. O diretor substituto do Banco da Inglaterra adimitiu que esta \u00e9 a maior crise econ\u00f4mica na hist\u00f3ria da humanidade. Eu apenas acrescentaria que esta n\u00e3o \u00e9 apenas a maior crise na hist\u00f3ria humana, mas a maior crise em todos os sentidos. Crises econ\u00f4micas n\u00e3o podem ser separadas do resto do sistema.<\/p>\n<p>A fraude e a domina\u00e7\u00e3o do capital e a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora n\u00e3o podem continuar para sempre. Os produtores n\u00e3o podem ser postos constantemente e para sempre sob controle. Marx argumenta que os capitalistas s\u00e3o simplesmente personifica\u00e7\u00f5es do capital. N\u00e3o s\u00e3o agentes livres; est\u00e3o executando imperativos do sistema. Ent\u00e3o, o problema da humanidade n\u00e3o \u00e9 simplesmente vencer um bando de capitalistas. P\u00f4r simplesmente um tipo de personifica\u00e7\u00e3o do capital no lugar do outro levaria ao mesmo desastre e cedo ou tarde terminar\u00edamos com a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Os problemas que a sociedade est\u00e1 enfrentando n\u00e3o surgiram apenas nos \u00faltimos anos. Cedo ou tarde isso tem de ser resolvido e n\u00e3o, como o vencedor do Pr\u00eamio Nobel deve fantasiar, no interior da estrutura do sistema. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 encontrar a reprodu\u00e7\u00e3o social com base no controle dos produtores. Essa sempre foi a id\u00e9ia do socialismo.<\/p>\n<p>N\u00f3s alcan\u00e7amos os limites hist\u00f3ricos da capacidade do capital controlar a sociedade. Eu n\u00e3o quero dizer apenas bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras, ainda que eles n\u00e3o possam control\u00e1-las, mas o resto. Quando as coisas d\u00e3o errado ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel. De tempos em tempos os pol\u00edticos dizem: \u00abEu aceito total responsabilidade\u00bb, e o que acontece? Eles s\u00e3o glorificados. A \u00fanica alternativa exequ\u00edvel \u00e9 a classe trabalhadora, que \u00e9 a produtora de tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio em nossa vida. Por que eles n\u00e3o deveriam controlar o que produzem? Eu sempre enfatizei em todos os livros que dizer n\u00e3o \u00e9 relativamente f\u00e1cil, mas temos de encontrar a dimens\u00e3o positiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Luk\u00e1cs costumava dizer, com bastante raz\u00e3o, que sem estrat\u00e9gia n\u00e3o se pode ter t\u00e1tica. 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