{"id":2136,"date":"2013-02-20T00:00:00","date_gmt":"2013-02-20T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espai-marx.net\/?p=2136"},"modified":"2020-02-20T11:04:57","modified_gmt":"2020-02-20T10:04:57","slug":"entrevista-a-pedro-montes-economista-ha-que-romper-com-o-euro-para-garantir-a-saida-da-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espai-marx.net\/?p=2136","title":{"rendered":"Entrevista a Pedro Montes, economista: \u201cH\u00e1 que romper com o euro para garantir a sa\u00edda da crise\u201d"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><i>Economista de longa trajet\u00f3ria profissional no Servi\u00e7o de Estudos do Banco de Espanha (desde 1969), Pedro Montes tem id\u00eantico percurso de compromisso com a esquerda social do Estado espanhol.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><i>Autor de numerosos estudos e livros divulgativos sobre o neoliberalismo e a historia do euro, nom duvida na receita necess\u00e1ria para poder enfrentar a crise com garantias para os povos que a padecem: propom a imediata sa\u00edda do euro e o desmantelamento do atual projeto de Uniom Europeia, que considera irreversivelmente fracassada.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><i>O companheiro Alexandre Carrod\u00e9guas tivo ocasiom de entrevistar Pedro Montes para os leitores e leitoras do Di\u00e1rio Liberdade, durante umhas jornadas decorridas recentemente em Barcelona.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><i>Este \u00e9 o resultado da entrevista, que recomendamos ler como muni\u00e7om te\u00f3rica para a luita social por umha sa\u00edda revolucion\u00e1ria \u00e0 crise capitalista.<\/i><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>Di\u00e1rio Liberdade &#8211; Podia falar-nos um bocado da rela\u00e7om existente entre o euro e a crise?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro Montes \u2013 Umha crise desta natureza e destas dimensons tem causas complexas, mas eu j\u00e1 escrevim num artigo sobre a crise que, em minha opiniom, a chave desta crise \u00e9 precisamente o euro. O euro \u00e9 fundamental na hora de explicar a crise, sem nengumha d\u00favida.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Isto \u00e9 assim num duplo sentido: primeiro, porque com o euro se origin\u00e1rom uns enormes desequil\u00edbrios na chamada balan\u00e7a de pagamentos por \u201cconta corrente\u201d entre umhas economias e outras. Umha vez que j\u00e1 nom havia tipos de c\u00e1mbio para que, tanto as economias mais fortes como as mais fracas, pudessem depreciar as suas moedas, isso resultou nuns desequil\u00edbrios exteriores crescentes. Da\u00ed que tenhamos atingido d\u00e9fices, em estados como o espanhol ou Gr\u00e9cia, de entre 10 e 15% em rela\u00e7om ao PIB.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Essas magnitudes nunca f\u00f4rom reconhecidas antes na hist\u00f3ria. O euro possibilitou e facilitou tais desequil\u00edbrios, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m facilitou umha grande expansom financeira, porque permitiu que qualquer pa\u00eds fosse financiado, levando a pensar que os d\u00e9fices podiam crescer sem problema. Acreditava-se que os mercados iriam assumir essas d\u00edvidas de cada Estado sem problemas, mas isso era falso. Na medida que os estados aumentavam enormemente os seus d\u00e9fices, acumul\u00e1rom d\u00edvidas que acab\u00e1rom por emergir como verdadeiros problemas para esses estados.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Entretanto, aconteceu que tamb\u00e9m rebentou a crise financeira internacional em setembro de 2008, com a fal\u00eancia do banco Lehman Brothers. A\u00ed os mercados se fecham e come\u00e7a a comprovar-se quem est\u00e1 endividado com quem, o valor da d\u00edvida, a qualidade, se pode ser paga ou nom&#8230; Entom descobre-se que a Europa \u00e9 umha das regions do mundo com maiores desequil\u00edbrios e com maiores d\u00edvidas entre estados.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">A partir da\u00ed, entramos na crise do euro, porque essa moeda nom permitiu um desenvolvimento equilibrado das diferentes economias, mas sim um endividamento colossal de todas elas. Para al\u00e9m doutros fatores, o euro j\u00e1 criou as condi\u00e7ons para umha grande crise na Europa.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Era a cria\u00e7om do euro umha proposta ut\u00f3pica?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Eu nom diria ut\u00f3pica, porque de facto o euro foi constru\u00eddo, mas sim foi umha constru\u00e7om absolutamente errada, em dous sentidos. Para j\u00e1, nom havia bases reais sensatas para a cria\u00e7om de umha moeda \u00fanica entre estados tam desiguais como os que inicialmente form\u00e1rom a uniom monet\u00e1ria. Posteriormente, o problema tem vindo a agravar-se porque o euro se estendeu at\u00e9 os 17 estados atuais, sem haver bases econ\u00f3micas para tal.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">De facto, as famosas condi\u00e7ons de converg\u00eancia, que supunham um indicador sobre que estados podiam aderir ou nom ao euro desde os in\u00edcios, nom se cumpr\u00edrom (por exemplo, a B\u00e9lgica devia cumprir com um m\u00e1ximo de d\u00edvida de 60% aquando da sua adesom, mas tinha 120% do PIB).<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Ao mesmo tempo que nom se cumpriam as condi\u00e7ons m\u00ednimas, sabia-se que tinha j\u00e1 havido umha crise do sistema monet\u00e1rio europeu poucos anos antes, em 93-94, em que o acordo de manter umha certa estabilidade monet\u00e1ria saltou polos ares devido \u00e0s importantes diferen\u00e7as econ\u00f3micas entre os diferentes estados. Todo isto tornava muito ousado tentar criar umha moeda \u00fanica e permanente, fixando mesmo os tipos de c\u00e1mbio.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Podemos dizer que foi umha fugida para a frente?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Podemos, sim. Deviam ter parado para refletir sobre \u201caonde \u00e9 que vamos\u201d e \u201cquem \u00e9 que vai\u201d, j\u00e1 que, contra as reservas anteriores, se decidiu que todos os estados poderiam aderir no momento da cria\u00e7om da moeda \u00fanica.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Por outra parte, est\u00e1 o aspeto pol\u00edtico-ideol\u00f3gico. Os diferentes estados, com a fixa\u00e7om de tipos de c\u00e1mbio r\u00edgidos e inamov\u00edveis, veem surgir umha concorr\u00eancia entre todos eles que \u00e9 descarregada sobre as condi\u00e7ons laborais, os sal\u00e1rios, os impostos, os servi\u00e7os p\u00fablicos (sal\u00e1rios indiretos dos trabalhadores e trabalhadoras), as pensons, etc.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Nom sei \u00e9 como a esquerda foi tam est\u00fapida para se comprometer com semelhante processo de cria\u00e7om do euro. Era claro que est\u00e1vamos a entregar tantas armas ao capital e \u00e0 burguesia que a esquerda deveu ter visto que aquilo nom era muito sensato. Por\u00e9m, a euforia europe\u00edsta que nos invadiu durante muito tempo levou a que no Estado espanhol muito pouca gente se opugesse \u00e0 cria\u00e7om do euro.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Quem era entom que tinha tanto interesse em criar o euro?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; As burguesias europeias, para sustentarem a concorr\u00eancia. Ao capital internacional tamb\u00e9m vinha bem um espa\u00e7o e umha moeda \u00fanica, para fazer os seus c\u00e1lculos e os seus neg\u00f3cios livremente num \u00e1mbito territorial muito mais amplo.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Entom, como se entende a posi\u00e7om dos sindicatos maiorit\u00e1rios espanh\u00f3is -CCOO e UGT- em favor de Maastricht, pedindo um &#8216;sim cr\u00edtico&#8217; no referendo da Constitui\u00e7om europeia&#8230;?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Foi umha fugida, umha cobardia na hora de se definir num problema que iria ser essencial no futuro. Deix\u00e1rom-se arrastar, como a maioria da esquerda, pensando que era um grande avan\u00e7o, sem pensar nas conseq\u00fc\u00eancias terr\u00edveis a n\u00edvel econ\u00f3mico e ideol\u00f3gico. A partir da\u00ed ficamos em maos da burguesia para que figessem o que quigessem com o argumento de que havia que ser \u201ccompetitivo\u201d.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Nessa l\u00f3gica, nem sequer os trabalhadores podiam luitar, porque as suas vit\u00f3rias eram prejudiciais na medida que o seu Estado perdia competitividade.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Pode-se falar de um complexo em torno da Europa modernizadora, que nos permitiria entrar no \u201cclube dos ricos\u201d e por a\u00ed diante?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Sem d\u00favida, vend\u00earom-nos umha Europa que nom existia e o Estado espanhol comportou-se desde 1986, aquando da entrada no Mercado Comum, como \u201caluno avantajado\u201d, querendo ser admitido, assimilado, e mostrando um grande \u201caf\u00e1m europe\u00edsta\u201d. Por\u00e9m, todo era um pouco falso, j\u00e1 que a integra\u00e7om europeia nom foi real, ficando claro que a uniom monet\u00e1ria nom significava umha uniom fiscal, o que \u00e9 contradit\u00f3rio e evitou a interven\u00e7om do poder p\u00fablico que nom \u00e9 compar\u00e1vel com a que representam os or\u00e7amentos comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">As disfun\u00e7ons entre zonas mais e menos desenvolvidas corrigem-se nos estados atrav\u00e9s do setor p\u00fablico, mas no \u00e1mbito europeu nom \u00e9 assim, porque se mantenhem os or\u00e7amentos estatais desligados, o que permite que os grandes estados como a Alemanha se reforcem sem qualquer compensa\u00e7om dos desequil\u00edbrios em favor das zonas menos favorecidas.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Que opiniom tem do desmantelamento dos setores produtivos b\u00e1sicos (naval, agricultura&#8230;) que se verificou em pa\u00edses como a Galiza desde a sua incorpora\u00e7om for\u00e7ada \u00e0 Uniom Europeia?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Nom conhe\u00e7o especificamente o caso galego, mas as normas de concorr\u00eancia europeias, com as suas quotas, devem sem d\u00favida ter um efeito muito negativo na economia galega. No caso da ind\u00fastria naval, a crise atual parte j\u00e1 da dos anos 70, mas a invasom de mercadorias, a dificuldade para exportar e as normas comunit\u00e1rias significam destrui\u00e7om do tecido produtivo interno.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Como avalia o papel do sal\u00e1rios no desenvolvimento da crise?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; O problema dos sal\u00e1rios parte de que a burguesia recebeu armas para poder control\u00e1-los diretamente mais que nunca. Os pr\u00f3prios sindicatos tenhem participado com os pactos sociais para esse controlo burgu\u00eas dos sal\u00e1rios. A partir de Maastricht, come\u00e7a-se a falar das condi\u00e7ons de converg\u00eancia, que sempre inclu\u00edam a \u201cmodera\u00e7om salarial\u201d, com a escusa da competitividade, mas o mais grave v\u00e9u com a crise, quando se criou o mito de que \u201cviv\u00edamos por cima das nossas possibilidades\u201d e devia haver um ajuste interno.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Foi Krugman [Nobel de Economia 2008] quem propujo que, se nom podia fazer um ajuste externo atrav\u00e9s da balan\u00e7a de pagamentos, devia hav\u00ea-lo interno, atrav\u00e9s da revisom salarial, aplicada no caso espanhol primeiro polo PSOE e depois polo PP, at\u00e9 hoje, de maneira terror\u00edfica. A mais recente reforma laboral tinha esse objetivo preferencial, aumentando as desigualdades na destribui\u00e7om da renda e sem afetar positivamente a resolu\u00e7om da crise.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 E a expansom do cr\u00e9dito, at\u00e9 que ponto influi na atual crise?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Um papel enorme. Os sal\u00e1rios som essenciais em qualquer economia, porque refletem a capacidade de compra da popula\u00e7om, supondo 60 ou 70% da procura de um pa\u00eds, mas claro, como existe umha guerra contra os sal\u00e1rios, a austeridade produz umha restri\u00e7om da procura.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Da\u00ed parte a chamada financeiriza\u00e7om: \u201cNom dou sal\u00e1rio aos trabalhadores e trabalhadoras, mas sim cr\u00e9dito\u201d. Essa possibilidade de compra concedida atrav\u00e9s do cr\u00e9dito acaba degenerando ao ficar em evid\u00eancia que nom \u00e9 poss\u00edvel pagar esses cr\u00e9ditos, o que no \u00e1mbito da constru\u00e7om se v\u00ea no desenvolvimento da chamada bolha imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">O cr\u00e9dito \u00e9 umha das seq\u00fcelas do neoliberalismo, junto \u00e0 livre circula\u00e7om de capitais e a desregula\u00e7om econ\u00f3mica, que provocam a crise financeira. Isso situa o pr\u00f3prio neoliberalismo como causante da crise mundial atual. Nom sei se todo isso est\u00e1 nos genes do neoliberalismo, mas de facto foi assim que atuou.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Podemos falar tamb\u00e9m de umha fugida para a frente em rela\u00e7om \u00e0 crise dos 70?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Sim. Mandel fala dos ciclos longos da economia e eu concordo nisso. Houvo um ciclo longo de expansom, que partiu do fim da II Guerra Mundial e durou at\u00e9 1972-73, em que se produz umha mudan\u00e7a na tend\u00eancia econ\u00f3mica mundial, que ainda nom acabou. Depois disso, nom voltou a haver expansom compar\u00e1vel \u00e0s existentes anteriormente, nem sequer no caso espanhol, que at\u00e9 2008 tivo taxas de crescimento de 2,5%. Nada compar\u00e1vel \u00e0s existentes naquele longo per\u00edodo de expansom, que no Estado espanhol chegou a registar 6 e 7% de crescimento econ\u00f3mico anual e cumulativo.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Entom continuamos na crise dos 70?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; O per\u00edodo hist\u00f3rico longo em que estamos \u00e9 recessivo, mas nos \u00faltimos 40 anos acontec\u00earom muitas cousas e agora realmentes estamos num per\u00edodo especialmente grave.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Concorda na visom marxista que explica as crises como resultado da sobreprodu\u00e7om?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Concordo, sim. O capitalismo nom produz para satisfazer necessidades e sim para gerar lucro. Isso provoca contradi\u00e7ons diversas, como a sobreprodu\u00e7om ou o subconsumo, relacionado com a financeiriza\u00e7om de que antes falamos.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Porque a esquerda tem que luitar por abandonar o euro?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Porque \u00e9 umha condena imposta polo capitalismo e se quigermos come\u00e7ar a sair da crise, deve recuperar-se umha certa capacidade de concorr\u00eancia, reabilitando a pr\u00f3pria moeda, desvalorizando-a em rela\u00e7om ao euro atual e melhorando assim a rela\u00e7om entre importa\u00e7om e exporta\u00e7om.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Al\u00e9m disso, os pa\u00edses endividados perdem liquidez, ao carecerem de excedentes na balan\u00e7a de pagamento, que \u00e9 negativa, e de financiamento exterior. A economia fica deprimida e com subconsumo devido \u00e0 falta de liquidez. A liquidez cria-se com a emissom de moeda por cada Estado, pondo fim aos cortes e favorecendo o consumo.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Agora o tecido produtivo est\u00e1 destruir-se por essa falta de liquidez.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Mas alguns economistas \u201cde esquerda\u201d dim que abandonar agora o euro seria como saltar de um aviom em marcha&#8230;<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Isso \u00e9 engra\u00e7ado, sim&#8230; o problema \u00e9 que o aviom nom est\u00e1 em marcha, o aviom est\u00e1 pr\u00f3ximo de colidir. Devemos saltar, se houver ocasiom, antes da colisom. Nom sei porque se v\u00ea como imposs\u00edvel desmontar algo que existe h\u00e1 15 anos, depois de todo o que j\u00e1 tem acontecido na hist\u00f3ria nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a come\u00e7ar pola queda da Uniom Sovi\u00e9tica, por exemplo.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Nom serve dizer que \u201cEuropa ou o caos\u201d, porque a Europa j\u00e1 \u00e9 o caos e a Europa que proponhem \u00e9 imposs\u00edvel de construir.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\"><strong>DL \u2013 Acha que a esquerda devia come\u00e7ar a defender a sa\u00edda do euro em lugar de se limitar a dizer que h\u00e1 que crescer e criar emprego?<\/strong><\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Pedro &#8211; Absolutamente. Crescer e criar emprego \u00e9 a solu\u00e7om final, mas h\u00e1 que incidir nos problemas reais que impedem atingi-la. Surpreende que, estando claro que nom h\u00e1 solu\u00e7om no quadro do euro, que leva os estados \u00e0 Idade M\u00e9dia, porque nom se pode desmontar esta Europa e come\u00e7ar a construir umha diferente? \u00c9 preciso recuperar a soberania econ\u00f3mica dos estados: taxas alfandeg\u00e1rias, pol\u00edtica fiscal, controlo dos capitais, setor p\u00fablico industrial, pol\u00edtica monet\u00e1ria&#8230; as sociedades est\u00e1m atadas e a esquerda nom est\u00e1 a reivindicar a recupera\u00e7om de todos esses recursos por parte de cada sociedade particular. Nom se entende essa atitude.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">O continu\u00edsmo nom vai servir, isto \u00e9 umha ruptura e, digam o que dixerem, fagam o que figerem, a Europa do euro nom se vai sustentar. Estamos agora, no Estado espanhol, nos 6 milhons de desempregados e desempregadas. Algu\u00e9m pensa que se vai criar emprego nos pr\u00f3ximos 2, 3 ou 4 anos? Vamos continuar at\u00e9 os 7 milhons de pessoas no desemprego? Esta \u00e9 a normalidade que nos proponhem?<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"JUSTIFY\">Essa Europa nom \u00e9 vi\u00e1vel e nom existe j\u00e1 projeto de constru\u00e7om europeia. Deve-se romper o euro e que cada sociedade recupere os seus instrumentos para enfrentar a crise de maneira efetiva e soberana.<\/p>\n<p class=\"western\" lang=\"pt-PT\" style=\"margin-top: 0.2cm; margin-bottom: 0cm; line-height: 150%;\" align=\"CENTER\"><i><b>Di\u00e1rio Liberdade<\/b><\/i><i> <\/i><u><a href=\"http:\/\/www.diarioliberdade.org\/\"><i>www.diarioliberdade.org<\/i><\/a><\/u><i> <\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0<\/p>\n<p style='line-height: 0.53cm; widows: 2; orphans: 2;' align='JUSTIFY'>\u00c9 preciso recuperar a soberania econ\u00f3mica dos estados: taxas alfandeg\u00e1rias, pol\u00edtica fiscal, controlo dos capitais, setor p\u00fablico industrial, pol\u00edtica monet\u00e1ria&#8230; as sociedades est\u00e1m atadas e a esquerda nom est\u00e1 a reivindicar a recupera\u00e7om de todos esses recursos por parte de cada sociedade particular. 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