Un punto de encuentro para las alternativas sociales

A Revolução de 1383-85

Vasco Gonçalves

A guerra entre Portugal e Castela nos fins do Séc. XIV não é apenas uma guerra entre dois Estados, ou mais uma guerra entre dois Estados. Da parte dos portugueses é uma guerra nacional e popular, uma guerra que mergulha as suas raízes nas lutas sociais, nas lutas de classes que se vinham desenvolvendo e intensificando ao longo do Séc. XIV. Estava-se processando o declínio do sistema feudal causado, fundamentalmente, pela liquidação da servidão da gleba nos Séculos XIII e XIV e pelo surgimento da pequena produção baseada no trabalho do proprietário dos meios de produção e da produção baseada no trabalho assalariado. A expansão dos concelhos está ligada ao desenvolvimento desta produção: é sua consequência e é seu estímulo, na medida, por exemplo, em que favorecia a libertação dos servos da gleba. Os servos da gleba dão lugar aos pequenos produtores formando-se, depois, por um lado, uma classe de camponeses ricos, a burguesia rural, e, por outro, uma classe de camponeses sem terra que fornecem trabalho assalariado. Com a produção mercantil simples, com a pequena produção baseada no trabalho assalariado aumenta a produção em geral, desenvolvendo-se o comércio interior. Surge uma classe de comerciantes que cresce em número e em poder económico. Por outro lado, o desenvolvimento do comércio externo (que já existia quando da formação de Portugal) conduz ao aparecimento de uma classe de ricos mercadores. Sendo o comércio externo quase todo feito por mar desenvolve-se a Marinha Mercante e, a construção naval. Nos centros urbanos do litoral forma-se uma burguesia rica, que se organiza na defesa dos seus interesses, e que vão influenciando cada vez mais a política portuguesa. Os portos, em particular Lisboa e Porto, tornam-se centros de poder da burguesia comercial-marítima. Paralelamente a este progresso, na produção e na troca de produtos, desenvolve-se a produção artesanal, cresce a classe dos mesteirais, cujo papel na Revolução de 1383-85 virá, em certos momentos, a ser decisivo. Com o desenvolvimento da produção mercantil e do comércio os burgueses concentram na sua mão grande riqueza. Com o seu crescente poder económico a burguesia ligada ao comércio marítimo torna-se o principal inimigo da classe senhorial e vem a estar em condições de, em unidade com as outras classes não senhoriais, disputar o poder político à nobreza latifundiária. O surgimento das novas classes e camadas sociais, o crescente poder económico da burguesia, cujos interesses se opõem aos da classe senhorial, exercem pressão sobre o poder real e obrigam a que os privilégios da nobreza e do clero vão sendo reduzidos ao longo dos Séculos XIII e XIV. Contudo, a natureza do Estado não muda com as conquistas que a burguesia vai alcançando. A nobreza latifundiária e militar, de que o rei é o primeiro senhor, continua a ser a classe dominante, continua a dispor da direcção política do Estado. D. Fernando é obrigado a promulgar leis de protecção ao comércio e à navegação, é obrigado a promulgar, nomeadamente, a Lei das Sesmarias, o que tem o significado de grandes conquistas da burguesia urbana e rural. Amadurecem as condições para a disputa do poder político à nobreza por parte da burguesia. Apercebendo-se do perigo que corria e sentindo que não possuía forcas para, por si só, dominar a contestação aos seus privilégios e ao seu poder, a nobreza portuguesa vinha procurando o apoio da nobreza castelhana à qual se unia (sem atender aos riscos que essa união implicaria para a independência nacional) com. o fim de salvaguardar e manter os seus privilégios, de reforçar o seu poder e de contrabater a burguesia ascendente. Foi com este objectivo que se celebrou em 1383 o casamento da infanta D. Beatriz, filha única de D. Fernando e de D. Leonor Teles, com o rei de Castela. Antes, em 1376 e 1380, o casamento da infanta com príncipes castelhanos estivera para ser realizado, prevendo-se já então a sucessão de um rei castelhano no trono de Portugal. O próprio casamento de D. Fernando com D. Leonor Teles fora preparado pela nobreza portuguesa em aliança com a de Castela com vista a influenciar mais directamente as decisões do rei no sentido favorável aos interesses da nobreza portuguesa. E de tal modo assim foi que os burgueses e artesãos se revoltaram em vários pontos do País. O alfaiate Fernão Vasques e os seus companheiros, à frente de três mil mesteirais, besteiros e homens de pé, em 1371, corajosamente, afirmaram o seu protesto ao rei pelo seu casamento com D. Leonor Teles; eles haviam compreendido o significado político desse matrimónio preparado pela nobreza portuguesa em conivência com a de Castela. Essa revolta dos mesteirais, exprimindo a oposição de interesses entre as classes populares e a nobreza feudal representou uma tal ameaça ao poder feudal que o rei mandou degolar Fernão Vasques e muitos dos seus companheiros. A propósito do casamento de D. Fernando, Fernão Lopes diz que os populares se juntavam criticando acerbamente os privados do rei e os grandes da terra que lho consentiam. Nos últimos meses da vida de D. Fernando acentuou-se junto do rei a influência da nobreza mais reaccionária o que fez crescer a tensão social e contribuiu para criar as condições para a insurreição de Lisboa, poucos dias depois da morte do rei. A morte do rei precipitou os acontecimentos ao colocar o problema da sucessão. A causa imediata da revolução burguesa é a tentativa por parte da nobreza de entregar o Governo de Portugal à monarquia castelhana. A revolução toma desde logo um carácter nacional, social e popular. A insurreição de Lisboa é secundada por revoltas populares por todo o País (sobretudo a Sul do Tejo) da burguesia rural, dos camponeses, dos assalariados rurais, dos «ventres ao sol». A luta pela independência nacional funde-se com a luta contra os privilégios da nobreza e pelo poder político, pois a classe dominante à qual era disputado este poder político era a mesma que, para conservar as suas posições, havia provocado a intervenção da nobreza de Castela contra os interesses populares e estava disposta a entregar o Governo de Portugal à monarquia castelhana. A revolução burguesa identifica-se, assim, com a luta pela independência nacional. A revolução tem um nítido carácter de classe. Dois campos se afrontam: o da nobreza territorial latifundiária e o das classes não senhoriais: a burguesia urbana e rural, os mesteirais, os pequenos proprietários camponeses, os camponeses sem terra, nesse momento unidos contra o mesmo inimigo, a nobreza portuguesa e castelhana, ultrapassando assim as próprias e naturais contradições de interesses que havia entre essas classes sociais não senhoriais. Foram estas forças que se defrontaram em Aljubarrota. O facto de, do lado português, sempre ter havido nobres ao lado das classes populares não altera o carácter do afrontamento de classes. Em todas as revoluções houve sempre elementos da classe dominante que tomaram o partido das classes em ascensão, progressistas, que se opõem ao poder dessas mesmas classes dominantes. Era restrito o número de nobres que estava com Portugal. E pertenciam aos estratos inferiores da nobreza. Eram dos menos abastados. Não podemos, pois, afirmar que do lado português, em Aljubarrota, se encontravam todas as classes sociais defendendo a independência nacional. O facto de, depois da Revolução de 1383-85, a nova nobreza ter ficado na posse de vastos domínios, domínios cuja extensão total era tão grande como a que antes de 1383 possuía a antiga nobreza latifundiária, não invalida a afirmação de que em Aljubarrota a nobreza, como classe, não estava do lado de Portugal. Estava, sim, um reduzido número de nobres que eram chefes militares das tropas populares. Os comandos militares, os quadros superiores eram, regra geral, nobres que, como se sabe, naquele tempo, eram militares profissionais. O que aconteceu foi que esses poucos nobres, em consequência dos êxitos na guerra e em virtude da posição que ocupavam no exército, ascenderam à grande propriedade territorial, no lugar daqueles que se puseram ao lado de Castela. Com efeito, foi com esses nobres leais a Portugal que, dadas as condições objectivas e subjectivas da época, foi reconstituída a grande parte dos domínios senhoriais. O caso mais típico é o de Nuno Alvares Pereira que ascendeu ao primeiro plano da classe senhorial e de tal modo que os seus domínios atingiram uma extensão igual à dos domínios que anteriormente possuíam muitos dos grandes nobres tomados em conjunto. É Fernão Lopes que nos diz que em resultado da grande crise surgiu uma «sétima idade em que se levantou um mundo novo e nova geração de gentes, aparecendo fidalgos de origem plebeia e erguendo–se pequenos aristocratas à primeira linha da nobreza». Repare-se que, para Fernão Lopes, o aparecimento de um mundo novo não estava ligado, como para nós, hoje, a uma profunda transformação nas relações de produção e distribuição entre as diferentes classes sociais. As condições objectivas da vida da sociedade portuguesa em fins do séc. XIV não eram de molde a poder colocar à consciência da burguesia e das classes populares a necessidade de uma modificação radical das estruturas socioeconómicas, que liquidasse o poder da classe senhorial. Só séculos mais tarde essa questão será posta pelas burguesias dos diferentes países e com grandes intervalos de tempo entre si. Com efeito, podemos verificar que nos finais do séc. XIV a Revolução de 1383-85 respeita as estruturas da sociedade feudal. Em 1383-85, do ponto de vista socioeconómico, o objectivo fundamental comum à burguesia e às classes populares era o de limitar os privilégios senhoriais, devendo, contudo, ter-se presente que eram diferentes entre si os objectivos concretos da burguesia e das demais classes populares. Em Aljubarrota, na realidade, encontravam-se muito poucos fidalgos do lado de Portugal. A principal nobreza portuguesa estava do fado castelhano, quer ali, em Aljubarrota, nas hostes de Castela, quer na chefia de povoações e castelos que se mantinham como ilhas ao serviço do inimigo, quer mesmo em Castela. Aliás, quando da primeira invasão castelhana, em princípios de 1384, o rei de Castela entrou praticamente sozinho em Portugal, antes do seu exército. Tal era o apoio que o rei de Castela tinha entre a nobreza portuguesa que o rei chegou à Guarda com a esposa e um pequeno séquito de umas trinta pessoas, sendo recebido processionalmente pelo bispo e clero e acorrendo depois numerosos fidalgos ao paço episcopal onde se hospedou. Em Aljubarrota, além de D. João I, Nuno Álvares e de mais uma dezena de grandes senhores haveria cerca de uma centena de nobres de modesta hierarquia. Ora, o número de membros da nobreza portuguesa é estimado, nos fins do séc. XIV, em 4000 a 5000 pessoas, não incluindo os membros da família real que seriam algumas centenas (Armando Castro, «História Económica de Portugal», II vol.). A nobreza que combatia contra os Portugueses em Aljubarrota tinha bem a noção do carácter de classe da guerra que fazia. Fernão Lopes dá-nos vários testemunhos: — Por meados de 1384 quando o nobre Gonçalo Mendes de Vasconcelos, senhor do castelo de Coimbra, entreviu por uma seteira do seu castelo, o exército de Nuno Álvares, que partia para Tomar, comentou para os seus privados o género de combatentes que compunham essa hoste, espantado que tais homens pudessem defender o reino contra um grande senhor como o rei de Castela, «salvo se Deus fosse seu capitão». — Quando o rei de Castela reuniu o conselho para decidir se devia dar batalha ou não, poucas horas antes do início desta, houve entre os seus conselheiros quem fosse de opinião que não se desse batalha pois se o rei de Castela fosse vencido teria sido derrotado «por um pouco número de pobre gente». — A covilheira do rei de Castela defumava os fidalgos com algumas defumaduras «para perderdes os maus cheiros destes chamorros, das casas onde vivem e aldeias onde moram». — Após a derrota de Aljubarrota, o rei de Castela, em fuga, ao chegar a Santarém lamenta-se de ter sido derrotado pelos «chamorros». «E se vós dizeis que outro tal e tanto aconteceu a meu pai verdade é que assim foi. Mas (…) de que gentes foi meu padre vencido? Foi-o de ingleses que são o frol da cavalaria do mundo, em tanto que, vencido por eles, não deixava de ficar honrado (…) E de que gentes fui eu vencido? Fui-o de chamorros que ainda que me Deus tanta mercê fizesse que a todos tivesse atados em cordas e os degolasse por minha mão, minha desonra não seria vingada».

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Como dissemos atrás, a Revolução de 1383-85 tomou, desde a sua eclosão, um carácter nacional, de luta peta independência, posta em perigo pela aliança da nobreza portuguesa com a de Castela. D. Leonor Teles manda alçar pendão por D. Beatriz, rainha de Portugal e de Castela. A rainha viúva pede a intervenção de Castela, a cujo rei entrega, em Santarém, a regência do reino, em Janeiro de 1384, com o apoio da alta nobreza portuguesa. Tem havido quem procure justificar o comportamento antipatriótico da aristocracia portuguesa afirmando que nessa época o sentimento nacional e patriótico seria inexistente. Mas a verdade é que esse sentimento já existia nessa época em Portugal e já existia de longa data. Não se terá esse sentimento de independência começado a definir partir da auto-proclamação de Afonso Henriques como rei de Portugal? O que se verificou é que não era essa nobreza feudal, como classe, a portador desse sentimento patriótico. A história mostra que não pode formar-se uma nação como uma comunidade de indivíduos que vivem no mesmo território e que, para além de relações económicas estáveis, estão ligados por uma língua comum e pelas particularidades da mentalidade, da cultura, do modo de vida, fixadas nos seus usos, costumes e tradições, sem que, na sua raiz, estejam classes produtivas directas e as demais classes populares. Os interesses destas classes, nos graves momentos de crise nacional, identificam-se com os interesses da Pátria. O mesmo não acontece quanto as classes privilegiadas: em determinadas condições históricas, para defenderem os seus interesses e as suas posições frente à acção revolucionária das massas populares, elas sacrificam o sentimento patriótico, são capazes de comprometer a independência do seu país em troca do auxílio estrangeiro, para se manterem no poder. Na tão grave situação de 1383-85, o sentimento nacional, a solidariedade activa entre as mais largas camadas de portugueses foi reforçada, mas este facto foi devido à luta das classes, não privilegiadas contra a nobreza feudal. A própria solidariedade activa entre a grande maioria da população atesta que já havia nessa época um arreigado sentimento pátrio. São muitas as referências de Fernão Lopes a esse sentimento pátrio: «o povo meúdo» quando a aristocracia, após a morte de D. Fernando, erguia o pendão por D. Beatriz, mulher do rei de Castela, respondia com «Arraial, arraial, por Portugal». Alguns exemplos:

· Os representantes do concelho de Alenquer dirigem-se ao Mestre de Avis afirmando o seu patriotismo, «somos portugueses e todos naturais destes reinos».

· Quando o Mestre de Avis se despede, em Coina, de Nuno Álvares Pereira, que marcha para o Alentejo como fronteiro dá-lhe o apoio de algumas dezenas de escudeiros, dizendo-lhe serem «verdadeiros portugueses».

· Os homens bons de Cerveira, Caminha e Monção enviam mensagens a Nuno Alvares Pereira: declaram-se «verdadeiros portugueses» e entregam-lhe voluntariamente essas povoações.

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Olga incomoda. Por quê?

Emir Sader

Olga incomoda. Ninguém sai do cinema alheio ao belo filme, baseado na obra-prima de Fernando Morais, que desagradou a imprensa e alguns "formadores de opinião". A crítica cinematográfica ficou incomodada, alguns jornais chegam ao limite de praticamente não recomendar o filme, pela baixa avaliação que lhe dão, em comparação com a quantidade de porcarias holywoodianas recomendadas diariamente. Olga incomoda porque conta a história pessoal de dois revolucionários. Incomoda saber que militantes comunistas são seres humanos, que amam, que sofrem, que são felizes, que se identificam profundamente com as causas pelas quais lutam, que não buscam nenhuma vantagem pessoal, mas sim a justiça e a solidariedade. Olga incomoda porque recorda as brutalidades repressivas que se cometeram contra os comunistas, aqui e na Alemanha. Incomoda porque a Alemanha – país ocidental, branco, protestante, anglo-saxão, capitalista – foi poupada por Hollywood, apesar de ter feito a pior "limpeza étnica" da história, contra judeus, comunistas e ciganos (e quando Chaplin fez O grande ditador, teve de sair dos EUA antes mesmo de o filme ser lançado). O filme de Rita Buzar e Monjardim recorda o papel que a Alemanha, como potência imperialista, desempenhou no nazismo. Olga incomoda porque revela a vida de militantes, de gente que optou por entregar o que têm de melhor pela revolução, pela luta anticapitalista. E incomoda – sobretudo os que vivem de interesses, de lucros, de prestígio, de honrarias, de ganhos imediatos, de poder – saber que outro tipo de vida e de valores é possível, dedicado a verdadeiros ideais. Olga incomoda talvez por mostrar Fernanda Montenegro, nossa principal atriz, dando vida à mãe de Luis Carlos Prestes, o mais conhecido dirigente comunista brasileiro. Talvez incomode ouvir a Internacional, em variados arranjos, inclusive como tema de fundo das cenas de amor dos revolucionários. É possível que Olga incomode também porque é uma produção de ótima qualidade, apesar de procurar fugir dos cacoetes de estilo norte-americano a que tanto nos acostumam nos cinemas. Mas sobretudo Olga incomoda porque é um filme que toma posição: é de esquerda – como o são Diários de motocicleta e as fitas de Michael Moore -, quando nos querem convencer de que isso não existe mais, que apenas os critérios estéticos é que contam. E Olga além do mais é um belo filme, humanista, que não poupa os carrascos, que diz as coisas pelos nomes que as coisas têm. Vejam Olga, apesar do que dizem os jornais, apesar da opinião dos conservadores. Que os jovens saibam, que os adultos se recordem, que todos vejam e julguem, com os seus olhos, os seus sentimentos, sua razão e os seus valores. Olga incomoda e é bom que incomode, em tempos que parecem pedir a todos que já não se incomodem com nada.

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Fragilità, corpo, amore. Lessico pratico per il presente Sotto il cielo della politica. Effetto Sydney

Ida Dominijanni

Il Manifesto. 28 de setembro de 2004

«Italian Effect», un convegno a Sydney sull’influenza del pensiero radicale italiano nell’ultimo decennio. Dal laboratorio nostrano degli anni `70 al laboratorio globale di una politica contrapposta alla forma della guerra

C’è un effetto della globalizzazione che né i suoi fautori più entusiasti né i suoi critici più apocalittici riescono a mettere a fuoco, ed è quello che essa provoca sul pensiero. Come in altri campi, la tecnica qui dice molto ma non tutto: non si tratta solo di una maggiore facilità di comunicazione e diffusione di idee, fonti, testi. Si tratta di una diversa modalità di produzione del pensiero, quando esso si avvale di uno scambio di esperienze e di un contatto diretto con persone, contesti, luoghi, tempi, stagioni differenti. Quando questo avviene, e contrariamente a quanto spesso si crede, l’effetto non è né di piatta omologazione, né di tranquilla contaminazione: c’è invece un rischioso quanto fecondo spiazzamento, che cambia le prospettive, altera le dimensioni, porta in primo piano particolari trascurati, costringe a ruvidi confronti con alterità non considerate, libera associazioni mentali tenute sottotraccia. A Sydney, nel corso di un convegno internazionale dedicato all’«Effetto italiano» sul pensiero politico radicale, tutto questo è felicemente avvenuto, grazie anche all’accoglienza di una «global city» che dello scambio multiculturale e della traduzione linguistica, politica, artistica fa ogni giorno necessità e virtù. Si trattava, grazie all’interesse per la scena politica e intellettuale italiana di alcuni ricercatori di cinque università consorziate – Brett Neilson che ne scrive qui a fianco, Ilaria Vanni, Michael Goddard, Melinda Cooper, Timothy Rayner – di verificare l’ipotesi che in questo decennio si stia verificando uno spostamento dall’influenza prevalente del pensiero francese (Foucault, Deleuze, Derrida) sugli studi politici australiani e, più in generale, di area anglo-americana, a quella del pensiero italiano, e più precisamente di quello che gli organizzatori, sulla scorta del titolo di un libro di Michael Hardt e Paolo Virno, chiamano «pensiero radicale italiano»: l’operaismo degli anni 60 e 70 e il post-operaismo degli anni 90, la cybercultura, il pensiero della differenza sessuale. Il portato, insomma, del «laboratorio politico» italiano dal Sessantotto in avanti, ripensato sulla scia del successo mondiale di Impero di Toni Negri e Michael Hardt, del credito internazionale del lavoro di Giorgio Agamben (tanto più in Australia, dove il tema del campo concentrazionario è imposto dal trauma storico del rapporto con gli aborigeni e dal trauma politico del trattamento dei profughi), dell’esplosione delle potenzialità politiche della Rete e del mediattivismo (tanto più in un continente in cui più che altrove Internet ha significato un salto di qualità nella comunicazione e nell’aggregazione), dell’attenzione per il femminismo italiano (più viva che altrove grazie a una forte presenza nelle università di ricercatrici di lingua italiana). L’operazione, si capisce, era a rischio, e poteva risolversi nell’esegesi e nell’idealizzazione di un patrimonio politico e teorico, gratificante per noi che in Italia sentiamo ancora bollare gli anni Settanta come il decennio maledetto, i «radical thinkers» come cattivi maestri, il femminismo della differenza come una corrente esoterica e via dicendo, ma poco utile ai fini di uno scambio effettivo per il presente. L’effetto di spiazzamento invece ha funzionato, facendo del laboratorio italiano un punto di partenza per pensare le necessità della politica oggi, in una situazione globale che già rende superate le premesse da cui il «pensiero radicale italiano» degli anni `90 partiva; e in un contesto intellettuale vivo come quello allestito dai ricercatori e dagli studenti di Sydney, in cui malgrado le elezioni siano alle porte (si vota l’8 ottobre e lo scontro fra Howard e Lethan ricalca quello fra Bush e Kerry) ciò che conta di più è la politica post-rappresentativa, e dallo scenario di guerra non rimbalza tanto l’eco della bomba sull’ambasciata australiana a Giacarta quanto la catastrofe antropologica dispiegata quotidianamente dalle immagini di torture e decapitazioni. Cambio di decennio, appunto, cambio di scenario, e di conseguenza cambio di tonalità del pensiero politico antagonista. Sotto un cielo in cui l’Impero riscopre bandiere e politiche nazionaliste, il post-umano si rivela disumano, il cyborg si reincarna nei kamikaze, la soldatessa Lyndie England sevizia un prigioniero iracheno al guinzaglio, si può ancora puntare su Spinoza contro Hobbes, scommettere sul futuro di una moltitudine mai segnata dal negativo, tenere viva una politica del desiderio, fidarsi delle tecnologie della comunicazione e dell’agorà virtuale, mettere in valore la differenza sessuale? «Il panorama è cambiato», dice Franco Berardi alias Bifo (che del convegno sta a sua volta raccontando su Rekombinat.org), e tira le somme per quanto riguarda la Rete, il mediattivismo e le teorie del cognitariato: l’ottimismo tecnologico degli anni 90 sta scontando adesso un doppio limite, l’enfasi sulla comunicazione virtuale a spese del corpo e l’enfasi sull’infosfera a spese della psicosfera. Corporeità, sessualità, sensitività, contatto, emotività, elaborazione psichica inconscia dell’informazione cancellate in nome della potenza cognitiva e della velocità comunicativa. Senonché corpo, emotività, sessualità ci presentano adesso il conto: dal teatro della guerra e dal set mediatico di una politica dell’immaginario che dall’alto ci manipola senza che dal basso riusciamo a rispondere con pratiche altrettanto capaci di mobilitare ragione e inconscio, discorso e passione, mente e corpo. La scissione fra corpo e linguaggio, desiderio e razionalità, di cui la politica moderna si nutre fin dalla sua nascita, si è impadronita anche della politica alternativa postmoderna? Il rischio c’è e ed è quello che il femminismo, sulla scena italiana, ha segnalato fin dal suo esordio, «tagliando» con l’esodo femminile la generazione politica del `68. Tanto più diventa interessante ripensare oggi quel taglio, i suoi effetti, le possibilità di un rinnovato dialogo fra donne e uomini di quella generazione politica e delle successive che si aprono oggi. E’ una storia in parte scritta ma in parte tutta da scrivere, a partire dalle contaminazioni linguistiche che si riscontrano fra «pensiero radicale» e pensiero della differenza sessuale, e che tuttavia non ne accorciano le distanze sui due punti cruciali e connessi della concezione della soggettività e delle pratiche del cambiamento. Però non è un caso, o così a me pare, che sotto il cielo di Sydney, e in un clima più mite di quello italiano anche quanto allo scambio politico e intellettuale fra donne e uomini, alcune urgenze si siano ripresentate in comune. L’esigenza di riportare il corpo in primo piano. E quella di pensare una politica dell’amore. Non, o non solo, con la felice baldanza dell’antico slogan «fate l’amore non la guerra» dei tempi del Vietnam. Ma con la consapevolezza che la potenza espropriante dell’amore è l’unica in grado di opporsi alla potenza espropriante della violenza, e di volgere la fragilità e l’esposizione delle nostre «vite precarie», come le definisce Judith Butler, alla relazione con l’altro e non al suo annientamento.

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La Tradición de la Democracia (y2)

Joaquín Miras Albarrán

LA FILOSOFÍA Y EL PENSAMIENTO EN LA TRADICIÓN DE LA DEMOCRACIA

La Filosofía es la metateoría o autoconciencia reflexiva de esta experiencia de la democracia, que percibe la cultura material como contingente, producto del ser humano y, por lo tanto mudable [1]. Insisto en su carácter metateórico, pues su peculiaridad noética la clasifica como un saber teorético fuerte -episteme-.

La episteme, o saber fuerte tiene la peculiaridad de ser poseído por pocos: los que se hayan tomado el trabajo de hacerse con el conocimiento de la materia mediante aprendizaje. Versa sobre lo necesario, es decir, su objeto de conocimiento es lo que no puede ser de otra manera -las leyes de la naturaleza, etc.-, por ello puede pronosticar el comportamiento futuro del objeto de su estudio -p. e. las revoluciones de los cuerpos celestes-, o es una generalización de segundo orden, a posteriori, de experiencias singulares, y en la medida que es generalización, y en virtud de ello, es un cuerpo de conocimiento que puede ser codificado, enseñado y aprendido. Su paradoja es, por tanto, que lo poseen pocos, pero que puede ser poseído mediante aprendizaje, por cualquiera que estudie.

Precisamente por esas dos características de la ciencia, el pensamiento político, para la democracia, no puede ser considerado episteme o ‘ciencia’. Si fuese un saber especializado, la política debería quedar en manos de los especialistas, y esto, sin embargo va contra el sentido común y la experiencia de la democracia [2]. Además, si fuese un saber sobre lo necesario, y no sobre lo contingente, la política dejaría de pertenecer al reino de la libertad; y en la medida en que esta tiene como objeto la vida social, el ser humano dejaría de pertenecer al reino de la libertad, pues la posibilidad de conocer la realidad social y humana mediante la ciencia indicaría que estas realidades han sido siempre iguales y que no pueden ser cambiadas por la voluntad humana.

Lo necesario no es libre; sólo lo contingente es libre. El capítulo sobre  ‘La deliberación’ en el libro lll de la Ética Nicomáquea es magistral al respecto. ‘Nadie delibera sobre lo eterno, por ejemplo, sobre el cosmos, o sobre la diagonal y el lado, que son inconmensurables; ni sobre las cosas (.) que ocurren siempre de la misma manera, o por necesidad o por naturaleza o por cualquier otra causa. (.) Deliberamos entonces sobre lo que está en nuestro poder y es realizable’ .

En cambio, sobre las realidades estudiadas por la ciencia, Aristóteles se expresa así:

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La Tradición de la Democracia(y3)

Joaquín Miras Albarrán

LA ECONOMÍA EN LA TRADICIÓN DE LA DEMOCRACIA

El asunto de la economía es caudal para la democracia. En primer lugar, la democracia desarrolla su política en torno a este asunto y crea un pensamiento y una práctica. Sin estas la democracia no existiría. Pero, además, en segundo lugar, hay que tener en cuenta que la aparición de una economía que genera riquezas de forma expansiva -crematística/ jremata-, y que amplía hasta hacerla flagrante la desigualdad entre pobres y ricos, es el contexto genético de la democracia, y por lo tanto, el asunto de la economía exige un enfoque distinto y más complejo. Comenzaré por este segundo aspecto.

Las democracia tiene su origen en la situación abierta  lucha de clases que es consecuencia de esa nueva situación de desarrollo económico ampliado y de la desigualdad material.

El gran debate de la tradición de la democracia es entre quienes son denominados indistintamente ‘demos’ -pueblo-, ‘hoi polloi’ -los muchos-, ‘ta plezos’ -la muchedumbre/masa- ‘hoi aporoi’ -los pobres-,  ‘hoi eleuceroi’ -los libres- y quienes son denominados ‘ousías éjontes’ -los que tienen riquezas-, ‘hoi plousioi’ -los opulentos, los plutócratas-, ‘hoi oligoi’ -los pocos-, euporío -los de hermosos bienes- y a veces, aunque posee otros sentidos también, ‘hoi áristoi’ -los mejores-. El lenguaje lo dice todo [1].

La radicalidad de la lucha de clases, su carácter manifiesto y explícito es consecuencia de que ésta se expresa en términos políticos y a través de prácticas políticas, debido a las particularidades ya existentes en la polis que permitieron a ‘los muchos’ emplear medios políticos que ya estaban casi a su alcance. Cuando el conflicto social y económico se expresa en términos políticos, explica Marx, es cuando la lucha de clases se hace explícita. Para el demos griego eso estaba al alcance de la mano. Los griegos pobres emplearon los recursos políticos a su alcance como instrumento de lucha contra los ricos. En el mundo griego era natural que las actitudes políticas de cada individuo estuviesen determinadas por sus situación material.

‘Al igual que otros muchos griegos, Aristóteles consideraba la situación económica de un hombre el factor decisivo que determina su actividad política, al igual que en otros muchos campos. No ve nunca la necesidad de argumentar a favor de esta situación, que daría simplemente por decontada, porque era casi universalmente aceptada’ [2].

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La Tradición de la Democracia(y4)

Joaquín Miras Albarrán

Estas ideas se borran y diluyen, por supuesto, en las versiones de la democracia elaboradas desde el liberalismo, fundamentalmente durante el periodo de lucha contra el fascismo, en la segunda guerra mundial.

Estas ideas, desgraciadamente, se han difuminado como consecuencia de la hegemonización del concepto de democracia por parte de la burguesía, que ha logrado asociar el término democracia con su tardía y recortada interpretación de la misma. Hoy se oculta la relación entre democracia y participación directa y permanente en política de las masas organizadas.

Los movimientos democráticos de masas de la Modernidad, hasta la fecha, nunca, o tan sólo transitoriamente, han alcanzado el propósito último que empujó su organización, pero son la causa de que el capitalismo haya tenido límites, y que, donde se han producido, las condiciones de vida de los de abajo hayan sido más dignas.

Los movimientos democráticos de masas han tenido conciencia de ser continuidad de una tradición, y esto se ha expresado de múltiples formas, entre otras, mediante palabras y símbolos tomados a la clasicidad. El gorro frigio, los ropajes a imitación de una presunta moda griega o romana, el arte neoclásico, la recuperación de las historias de los Gracos, de Espartaco, etc., y por supuesto, las palabras ‘democracia’ ‘proletariado’, etc.

El legado escrito clásico, recibido desde las lecturas e interpretaciones elaboradas por la Ilustración, ha sido patrimonio de este movimiento.

Para ver la consciente recuperación de ideas de la tradición, desde los nuevos contextos sociales de recepción de esas ideas y desde los nuevos problemas aparecidos, tras la Revolución Francesa, en lucha con el capitalismo, vamos a recurrir a los textos de dos de los intelectuales más importantes del movimiento democrático del siglo XlX, Carlos Marx y Federico Engels.

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La Tradición de la Democracia(y5)

Joaquín Miras Albarrán

LA CONCEPCIÓN DE LA POLÍTICA Y DEL ESTADO EN MARX. LA CRÍTICA A LA ESTATOLATRIA

Las ideas de Marx sobre la clase obrera, sobre la organización social de la propiedad, alternativa a la desarrollada por el capitalismo y sobre la política, como hemos visto, fueron cambiando notablemente durante los años cuarenta. También sus ideas sobre el estado variarían, en parte como resultado de su relación con esos otros cambios de pensamiento. Pero el núcleo fuerte de su concepción del estado como producto subordinado de una determinada sociedad civil, quedaría fijo para siempre. Las ideas que Carlos Marx había elaborado al respecto, procedían de la herencia de la tradición ilustrada -los ‘pensadores franceses modernos’-, de su reflexión a partir de sus conocimientos históricos, y del conocimiento de los clásicos griegos. A pesar de la estatolatría de Hegel, la investigación sobre la constitución de la sociedad civil, de ese autor, redundó en el refuerzo de la línea de pensamiento de Marx.

En cuanto a la evolución de su valoración sobre la política, el cambio fue notable. Precisamente el análisis de la actividad política que se desarrollaba ante los ojos de Marx mientras vivía en Alemania, es decir, la interpretación liberal de la política, que él creía ser, por esas fechas, el resultado de la Revolución Francesa, le había producido fuertes prejuicios, que luego mantendría con firmeza en debates con personas que habían sido amigas, como por ejemplo, Ruge.

La política era asimilada por él, en este periodo, con la concepción liberal de la misma. El liberalismo defendía los derechos del ciudadano, pero dejaba de lado las necesidades materiales del ser humano. Por lo tanto, la cuestión social no encontraría cabida en la política. La política era asimilada, además con la actividad representativa y con el estado burocrático; por todo ello Marx se sentía inducido a oponer actividad política y liberación social.

El mismo estado democrático representativo fue fustigado una y otra vez, e, incluso, en un exceso, llegó a asimilarlo con la retrógrada burocracia prusiana [1].

El cambio de opinión se produce rápidamente en Francia, donde la tradición ilustrada y jacobina sostenida por los obreros organizados en opinión pública le permite entrar en contacto con una interpretación alternativa de la política. Ya en 1845 encontramos un texto breve -esquema de un trabajo que pensaba realizar sobre el estado moderno-, en el que Marx distingue entre el estado representativo democrático y el ‘derecho de sufragio’, término que aparece en cursiva como nombre de un agente de lucha política y de una alternativa política al estado burocrático:

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La Tradición de la Democracia(y6)

Joaquín Miras Albarrán

LA POLÍTICA EN LA SIGUIENTE ETAPA: POLÍTICA Y  ESTADO

Para terminar, voy a tratar de resumir cómo se conservan estas ideas de la tradición de la democracia en Marx y Engels. Pero antes debo responder una posible observación que pueda serme expresada por algún lector. La intención manifestada por el título de este ensayo es tratar sobre la tradición de la democracia. Al extenderme en esta segunda parte sobre el pensamiento de Marx y Engels, y al seguir su evolución intelectual durante  más de cinco decenios, como se verá aquí, ni me equivoco impremeditadamente sobre el objeto del ensayo, ni trato de sesgar conscientemente la tradición.

Sigo la obra de Marx y Engels porque el mundo teórico de la tradición de la democracia, y la propia tradición en tanto que movimiento de masas consciente de las características de la misma, se adelgazó a extremos inquietantes en la segunda mitad del siglo XlX y durante principios del XX, y Marx y Engels quedan convertidos  con el correr del tiempo, en unos “fósiles”  que dan testimonio del periodo de los movimientos democráticos .

La fuerza principal que defendía la democracia en este periodo, era el movimiento obrero. En Francia el campesinado y gran parte de las clases medias optaron por la defensa de la democracia. Pero Francia, precisamente por ser el país de la Gran Revolución, es una sociedad por completo atípica, contrariamente a lo que, durante tiempo, defendió la historiografía.

Y además, hay que subrayar que la democracia que este bloque social impuso en Francia fue una democracia parlamentaria sobre un estado burocrático. Es cierto que, bajo la Tercera República Francesa se producía una fuerte participación y un activismo real, popular, canalizado a través del Partido radical-socialista de Clemenceau, quien se lanzaría a la ofensiva en 1881 con un programa democrático.

En otros países, junto a la clase obrera, defendieron la opción democrática algunos segmentos de las clases medias urbanas, los jornaleros o proletarios del campo y alguna franja campesina. A pesar de esas adscripciones, las clases medias y el grueso del campesinado constituyeron grupos sociales divididos en su filiación hacia la democracia. Tampoco las otras escasas democracias que se constituyeron avanzaron en el proyecto de la tradición: todas fueron híbridos de democracia y estado burocrático, si bien todas las que lograron instituirse en este periodo se apoyaron en movimientos de masas vitales: fueron ‘democracias vitales’ [1].

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La Tradición de la Democracia(y7)

Joaquín Miras Albarrán

Una última palabra sobre nuestros dos amigos, a título de resumen definitivo. Como hemos visto, en política Marx y Engels siguieron ateniéndose en lo fundamental, a lo aprendido en los años de París y de Colonia. En los años 60, durante el periodo de la AIT, al volver a constituirse un movimiento democrático de masas, se incorporaron de nuevo a la actividad política, dejando inconclusa y sin mayor preocupación la obra intelectual que habían ido desarrollando como paliativo a la falta de actividad política. Esta actividad duró hasta la derrota del movimiento, cuyo emblema fue la Comuna de París. Hemos podido interpretar algún texto de este periodo.

La confianza en que el movimiento fuese generando un proyecto a la altura de sus capacidades, y que el propio movimiento mostrase cuáles eran éstas, es el meollo las ideas fundamentan su actividad.

El rechazo del estado burocrático delegativo -o del estado- como medio idóneo para la acción política se encuentra, desde el principio en los textos más primitivos de Marx y Engels y se mantiene hasta el final de sus días como idea en ambos revolucionarios.

El aprecio que sintieron siempre por la tradición de la democracia, y por la experiencia del movimiento democrático moderno, que se inicia con la Revolución Francesa, la podemos ver nuevame recogida en 1891, ya muerto Marx, en la ‘Crítica al programa de Erfurth’, redactada por Engels, texto en el que se ve cómo, para Engels, en la democracia, la actividad política democrática carece de estado, o si se prefiere, el estado político de la democracia carece de burocracia. Engels rechaza que la política consista en la representación de los ciudadanos por parte de técnicos especializados que apliquen estrategias de intervención en la sociedad conforme a técnicas de ingeniería social. La política debe ser resultado de la autoactuación de la propia ciudadanía que aplica directamente sus propias normas.

Escribe Engels: ‘Está absolutamente fuera de toda duda que nuestro partido y la clase obrera sólo pueden llegar a la dominación bajo la forma de república democrática. Esta última es incluso la forma específica de la dictadura del proletariado, como lo ha demostrado ya la Gran Revolución francesa. (.) Así, pues, república unitaria. Pero no en el sentido de la presente República francesa, que no es otra cosa que el Imperio sin el emperador fundado en 1798. De 1792 a 1798, cada departamento francés, cada comunidad poseían su completa autonomía administrativa, según el modelo norteamericano, y eso debemos tener también nosotros. Norteamérica y la primera República francesa nos han mostrado y probado cómo se puede organizar esa autonomía y cómo se puede prescindir de la burocracia, y ahora lo muestran Australia, el Canadá y las otras colonias inglesas. Semejante autonomía provincial y comunal es mucho más libre que el federalismo suizo, por ejemplo, donde el cantón es, por cierto, muy independiente respecto de la Confederación, pero lo es también respecto del distrito y de la comunidad. Los gobiernos cantonales nombran a los gobernadores de los distritos y los alcaldes, lo que no ocurre en absoluto en los países de habla inglesa…'[1].

Con posterioridad a los personajes de los que acabamos de tratar, las luchas democráticas de masas se acrecentarían en el período subsiguiente. A consecuencia de la crisis de civilización generada por la Primera Guerra Mundial, las masas europeas irrumpieron en la política y se empeñaron en protagonizar el espacio público cuya existencia caracteriza a la Modernidad, en hacerlo crecer, y en expresarse políticamente instaurando regímenes democráticos. Esto provocaría el pánico de las burguesías capitalistas, al extremo de apoyar el fascismo.

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La constitución de la multitud en movimiento: la génesis de la democracia

Joaquín Miras Albarrán

“La democracia como cosa en sí, como abstracción, no existe en la vida histórica, sino que la democracia es siempre un determinado movimiento político, conducido por determinadas fuerzas y clases que luchan por determinadas finalidades. Un estado democrático, es en consecuencia, un estado en el que gobierna el movimiento de la democracia” Arthur Rosenberg, Democracia y Socialismo. Aporte a la historia política de los últimos 150 años (1789-1937), Ed. Claridad, Buenos Aires, 1966 Una nueva época Un nuevo ciclo de luchas sociales se ha abierto, y un nuevo sujeto político ha hecho acto de presencia en la historia: lo hemos visto en la calle. El sábado 15 de febrero en nuestras ciudades y en decenas de ciudades de otros países. En noviembre, en Florencia. Antes, en la manifestación contra la cumbre del G8, en Barcelona. Y en Porto Alegre y en Génova… Una nueva época nace y su característica fundamental es que la plebe, el demos, la multitud, osa nuevamente, constituirse en opinión pública organizada; se atreve, otra vez, a protagonizar la práctica política y a disputar el poder a la plutocracia capitalista y su cohorte de poderes. Ya nada será igual. A destacar: lo que hemos visto movilizarse en Barcelona, Madrid y Londres, en Florencia, es ciertamente un número aún pequeño de la totalidad de la población –aunque ¡quién lo hubiese soñado hace, tan sólo, cuatro años!-, pero su composición revela que lo que se está movilizando abarca en potencia a todo el espectro social del demos; a las 8 décimas partes de la sociedad – lo que, continuando la vieja tradición de la democracia, recuperada por el jacobinismo, Robespierre denominaba “proletariado”-. Falta aún mucha gente, y mucha organización estable micro fundamentada, mucha participación. Por eso, tan sólo es el fantasma del demos lo que recorre hoy Europa. El bloque subalterno de la sociedad civil no está aún lo suficientemente organizado como para poder dominar democráticamente la actividad social que produce y reproduce la vida, e instaurar un nuevo poder político democrático, pero se expresa y genera una nueva opinión pública. Conviene que abramos una reflexión para tomar conciencia de todas las cosas que han sucedido en los últimos tiempos ante nuestros ojos, y muy en especial el 15 de febrero. Nuevamente hemos visto al mismo sujeto que se ha ido configurando en los últimos cuatro años, salir a la movilización. Se confirma la incorporación a la lucha de una nueva generación, con mayor formación intelectual y técnica media que la que protagonizó las luchas hace 30 años Esta generación nueva está sociológicamente constituida, desde una estimación que dé relevancia a las relaciones sociales de producción, por actuales o futuros asalariados, asalariados-precarios, trabajadores autónomos supeditados al dominio del gran capital, profesionales y pequeños propietarios –se hace hoy muy difícil diferenciar entre el trabajador asalariado estable, el asalariado sometido a precariedad, el trabajador organizado en empresa cooperativa a la que se subcontrata, el trabajador autónomo individual, y el pequeño propietario de un establecimiento – . Esta generación joven forma la vanguardia de todo un conjunto de población, de su misma generación y de otras anteriores, que ya apunta en las movilizaciones. Cuando uso el término vanguardia lo hago en sentido estricto, como punta de lanza que se moviliza con más facilidad que el resto. La verdadera vanguardia de la sociedad, ese 15/ 20 % que está dispuesto a movilizarse ya, ni se deja sustituir ni puede ser confundida con los estados mayores de las viejas estructuras políticas dispuestos a sustituir a los demás. Gracias a esa nueva vanguardia social encabezada por la generación joven de las clases subalternas, dominadas por el capitalismo, hemos visto recuperar la voz a la sociedad democrática, subalterna, al pueblo –al demos-. Convocadas a la lucha antiimperialista , se han vuelto a movilizar las generaciones de la lucha antifranquista, lo que revela que los sectores sociales que lucharon por las libertades, fueron derrotados pero no están vencidos. Hay que mejorar el análisis sobre el bloque social que se ha expresado en la protesta contra la guerra y por un orden internacional justo. Tanto sobre este sector joven como sobre los otros que han comparecido en las movilizaciones. Sí podemos ver que hoy por hoy, la estructuración estable permanente de esta ciudadanía es aún débil. Pero esto también revela un dato nuevo. Tradicionalmente el viejo movimiento obrero y popular alcanzaba cotas altas de movilización en la medida en que existían instrumentos organizativos estables y micro fundamentados, de masas. Ahora, eso que sería muy deseable, aún no existe, pero, sin embargo, el nivel de la movilización es muy elevado. La pujanza del nuevo ámbito social deliberativo construido y la fuerza de la nueva Opinión Pública alternativa, emergente, se basa en la elaboración de opiniones políticas a partir de la información y de intercambios de opiniones informales. Y en la experiencia inmediata que poseen como individuos de la sociedad presente. También en el manejo de nuevas tecnologías informáticas. Esta respuesta ante la información, la capacidad consiguiente de elaborarla, la capacidad para discutirla en grupos informales muestra que este amplio sector popular está intelectualmente capacitado. Estamos ante una situación de aumento de la actividad ciudadana en sus actitudes públicas, y ante la reconstrucción de una nueva Opinión Pública popular, plebeya. El bloque social activo que se dibuja va a crecer, tanto como consecuencia de las afinidades con la población que todavía no se ha movilizado, pero que coincide en sus experiencias generacionales, en sus expectativas, en su sociología, etc., con los sectores movilizados, como por la forma de organizar la movilización, democrática, no autoritaria, inclusiva, no supeditada a las viejas instituciones electoralistas, y también por el éxito obtenido por las movilizaciones que se han desarrollado hasta el presente, razón nada desdeñable. La esperanza de construir colectivamente un mundo mejor –“otro mundo es posible”-, los valores de libertad e igualdad, que han permanecido latentes, pero alentando, en la cultura popular hija de las luchas democráticas antifascistas, han vuelto a encarnarse en un sujeto colectivo, y han vuelto a constituir una fuerza beligerante políticamente. Podemos afirmar que esta es una realidad irreversible. Esto quiere decir que en esa dinámica abierta, el nuevo sujeto social, va a ir desarrollando deliberación y actividad, y va a ir ampliando su capacidad de organización, mediante la inclusión de nuevos sectores; va ir construyendo sociedad civil, reticulando redes democráticas de acción y de control de la actividad en el interior de las estructuras organizadas, ya existentes, de actividad y producción, hoy dominadas por el capital o por el poder político oligárquico, no controlado; va a ir generando experiencia y proyecto político propio, salvo que sea derrotada por la derecha. Pero, para que esta situación nueva que apunta, decaiga o inflexione, es precisa una lucha y un triunfo de la derecha sobre el movimiento. Cosa que no está predicha, ni mucho menos. Por el momento, la derecha, cogida por sorpresa, no puede ni tan siquiera presentar batalla de forma inmediata y eficiente al presente movimiento. Mas, aún en el peor de los casos posibles: la historia es irreversible. El pasado ya no volverá bajo ninguno de los supuestos futuros posibles. Nada volverá a ser como es; como ha sido.

Lo viejo no acaba de morir El demos que se ha movilizado lo ha hecho manifestando firmeza y claridad de ideas en torno a principios de carácter fuertemente moral y político: no a la prepotencia de EUA que trata de imponer su nuevo orden mundial. No a la guerra. Denuncia de los intereses que se ventilan por debajo: el petróleo. Por otra parte, ya el nacimiento del movimiento es el resultado de una conciencia radicalmente anticapitalista, pues surge para protestar y rechazar la “globalización”, esto es la política económica impulsada por el gran capital internacional, que ha consistido en destruir los controles generados desde la Segunda Guerra Mundial para proteger el mercado de trabajo y salvaguardar de la piratería el mercado financiero. El carácter inmediatamente internacionalista del movimiento es otra evidencia que nos habla de la clara conciencia política que poseen sus miembros; el movimiento hace gala de un cosmopolitismo no retórico. En resumen: su nivel de politización y su antagonismo anticapitalista prácticos, no meramente declarativos, son mucho mayores que el de las actuales organizaciones políticas de la izquierda que se amparan bajo nombres de fuerzas políticas antaño gloriosas. El movimiento democrático se ha levantado en lucha por la libertad entendida, de forma relacional, como no dominación, o no supeditación de los seres humanos a la voluntad explotadora y enseñoreadora de la minoría capitalista. Y ha asumido consecuentemente la lucha política directa contra la explotación y la dominación de la sociedad civil a manos de la plutocracia capitalista –la lucha contra el dominium- y la lucha contra el despotismo del poder político desatado que trata de someter por la fuerza militar a la ciudadanía y al mundo entero a sus pretensiones –la lucha contra el imperium-. Se ponen en discusión tanto las relaciones de poder que organizan la economía capitalista como las relaciones de poder que estructuran las instituciones políticas y parlamentarias y las sostienen al margen de la voluntad de la ciudadanía, en manos de oligarquías cooptadas. Esto debe hacer reflexionar a quienes somos miembros de la vieja izquierda sobre nuestro tradicional discurso que insistía en una pretendida inconsciencia de las masas, que faltas de dirección política, no eran capaces de desarrollar criterios políticos fuertes propios. Una movilización contra la guerra imperialista en Irak, o contra la globalización económica, es algo muy alejado de la simple experiencia espontánea de índole salarial, que propugna quejas y reivindicaciones de ese tenor. También ha quedado puesto en entredicho el tradicional expediente que achaca nuestra incapacidad a la influencia de los medios de comunicación que intoxican a las masas: la masividad “intoxicadora” de los medios de comunicación sobre el asunto de la guerra del Irak ha sido flagrante, pero, sin embargo, este hecho ha provocado la irritación de la gente que ha sentido que el discurso era mendaz, cínico y prepotente. La prepotencia política ha movido las conciencias tanto ahora como cuando la cumbre de Barcelona. Existe una muy clara y firme conciencia de repulsa a unas determinadas formas de hacer la política. Queda claro que un amplio sector de la sociedad posee criterios firmes de índole moral-política, y si la vieja izquierda no hemos sabido conectar con ellos es porque nos hemos equivocado. A empezar, por tratar de auto otorgarnos el papel de elite dirigente. La gente movilizada no tiene una particular predisposición en contra de las organizaciones políticas tradicionales de la izquierda, sino que se muestra meramente indiferente y desinteresada hacia las mismas y hacia sus intentos de instrumentalización. Un ejemplo curioso e interesante ha sido la “respuesta” de la ciudadanía movilizada a los intentos de encabezar las manifestaciones por la paz, desarrolladas durante el 15 de febrero, por parte de los partidos y sindicatos. Durante las semanas previas, fuerzas políticas y sindicales que habían estado ausentes de la movilización anterior y de la organización de la jornada de lucha, acudieron al olor del éxito de la movilización y exigieron ocupar con sus personalidades de relieve los puestos de cabecera de la manifestación, plantearon la necesidad de asumir eslóganes, de realizar públicamente determinadas declaraciones, etc. Para la ciudadanía democrática activada, esa gente no existió: las “cabeceras” de “prohombres- y- promujeres” fueron ignoradas, al igual que las consignas oficiales, no como pataleta y en señal de protesta, sino por indiferencia ante algo que se sabe postizo e inerte. Las evidencias que vamos presenciando revelan que la sociedad dispuesta a la respuesta político moral, y a la movilización no se muestra propensa a hacer depósito de confianza en ninguna organización que se auto proponga para gestionar en clave de profesionales de la política la representación de la ciudadanía. Esta ha sido precisamente una de las condiciones que han posibilitado el desarrollo tan desconcertantemente rápido del nuevo movimiento, en los diversos estados y a nivel mundial: el carácter democrático de base del movimiento, y su carácter inclusivo, que trata de unir, de poner de acuerdo mediante la deliberación no prefijada a todos los sectores que se aproximan, y que admite todo tipo de nueva organización o colectivo –“movimiento de movimientos”- sin desconfiar de su carácter previo organizado, sin rechazar los planteamientos que traiga, pero que, a la vez, no contempla la posibilidad de la “negociación” de colectivo a colectivo, sino la deliberación pública, el acuerdo eventual, el desarrollo creativo de nuevas ideas, gracias a la deliberación, y la posibilidad de sostener opiniones diversas en asuntos.

La democracia, una nueva forma de construir un sujeto El movimiento emergente siente la necesidad de mejorar su autoorganización, y va dotándose paulatinamente de formas organizativas estables. A título de ejemplo, en el número de enero de El Viejo Topo, David Catalán daba cuenta con cautela de mejoras de los niveles organizativos del movimiento en Cataluña. En todas partes se discute la forma de dotarse de estructuras estables suficientes y democráticas. Las nuevas formas que estructuren en concreto el bloque social emergente, es decir, el demos o pueblo que lucha por constituirse en poder –en kratos- no pueden ser conocidas por adelantado, ni pueden ser resultado de elaboraciones en laboratorios politológicos. Las formas organizativas serán fruto del debate, de la experiencia política desarrollada por las luchas que se avecinan, de las necesidades sentidas y de la deliberación interna del movimiento. Pero algunas cosas sabemos ya sobre sus trazos futuros, porque son evidencias del presente. En primer lugar, que el entramado que emerge no es un medio, o instrumento al servicio de ninguna fuerza política constituida externa al mismo, porque el movimiento que se está construyendo no es, ni se entiende a sí mismo, como instrumento táctico o puntual al servicio de una estrategia “de parte”, ni como medio organizativo al servicio de la recolección de votos de otras organizaciones políticas. Los fines del movimiento son exclusivamente los que el mismo se va planteando deliberativamente, y su finalidad organizativa es precisamente posibilitar el protagonismo directo de la ciudadanía organizada sobre sus propios actos y sus propias vidas, la reapropiación en el seno de la sociedad civil de su destino político colectivo. Como se comprende fácilmente, para las gentes organizadas en el movimiento, la democracia no es un medio institucionalizado que sirve como procedimiento instrumental para el acuerdo entre individualidades aisladas o colectividades sociales ya preconstituidas, cuyos intereses y deseos están prefijados. Ni es el expediente por el cual nuestras preferencias individuales orientan la gestión pública de las instituciones burocráticas, previamente existentes, del estado y de sus recursos. Ni el instrumento que permite la elección de elites gestoras gobernantes en las cuales delegar la gestión de los asuntos públicos ya preestablecidos mediante la agencia estatal. Democracia es el nombre que se da a la estructuración estable, en la sociedad civil, de un movimiento abierto a la autoorganización de todo ciudadano en su seno y a la deliberación incluyente, con el fin de coordinar la práctica política de los ciudadanos que integran el movimiento. La democracia no es un método, sino una manera de organizar las relaciones entre las personas que integran el movimiento, que se basa en la igual libertad de todos sus participantes. La democracia es un elemento inherente a la existencia del propio movimiento. Veamos esto con un poco más de detalle. El pensamiento humano, la psique, posee un carácter dialógico: la participación de los individuos en situaciones de libre deliberación y diálogo para elaboración de proyectos comunes con el objeto de orientar la praxis de los individuos directamente participantes en el proceso, origina la creación o surgimiento de nuevas ideas y planteamientos antes no existentes. Estas nuevas ideas orientadoras de la praxis tienen en cuenta las objeciones de los participantes, y tienen la capacidad de cambiar las concepciones previas de los mismos. La deliberación libre posee esta cualidad. Por otro lado, la actividad subsiguiente, organizada democráticamente, sin subordinación a la tarea rectora de nadie – la actividad no planeada conforme al esquema de división del trabajo entre quien concibe y quien, sin saber por qué, ejecuta-, genera en los individuos participantes, que deben protagonizar su actividad en la ejecución de los compromisos adoptados, nuevas capacidades y facultades antes no poseídas –nuevas “fuerzas productivas” o fuerzas capaces de objetivación- . La posibilidad de intervenir en la actividad, y conseguir la autorrealización de la persona –el ser humano es un ser práxico- es la matriz donde nacen las cualidades intelectuales, técnicas y morales requeridas por la democracia: la areté –la virtud- de la democracia tiene su nacimiento en la propia práctica democrática. Virtud –areté- es el nombre que en la tradición de la democracia se dio a la moral democrática; y en ésta se otorga prioridad absoluta a los deberes que los individuos ciudadanos tienen contraídos respecto a los asuntos públicos atinentes a su comunidad social. El primer deber es luchar por el bien común de la sociedad, lo que implica deliberar previamente sobre cuál es el proyecto político que favorece el bien común de la polis, y luego ejecutar los acuerdos adoptados. Esta moralidad prioritariamante pública –virtudes públicas contra vicios privados- define una antropología humana. Esta moralidad tiene su origen en la experiencia práxica desarrollada por quienes se comprometen en la praxis del movimiento. Veamos esto un poco más detenidamente: La praxis democrática se puede descomponer analíticamente en una triple actividad: deliberación en pié de igualdad, entre los demás/ ante los demás, mediante el uso público y libre, de la palabra –dokein-; ejercicio de los cometidos previamente acordados, que deben ser llevados a la práctica directamente por los ciudadanos deliberantes, los cuales asumen el compromiso público de ejecutarlos en la medida de sus capacidades –praxis/ prattein-; rendimiento público de cuentas ante los demás, del cumplimiento de los compromisos –léguein didónai-. El deseo de ser apreciado en la comunidad cívica constituida, en el presente, por el movimiento de ciudadanos en el que el individuo se integra, como resultado del cumplimiento de los compromisos adoptados libre y públicamente y por la eficacia en la ejecución de los mismos; el deseo de que se reconozca su derecho a tomar la palabra y deliberar, siendo escuchado con respeto por su saber, intuición y tacto en la previsión de los asuntos políticos –frónesis/ prudentia- e incluso con admiración, no con rechifla, son las experiencias que generan el desarrollo de la moral pública que denominamos Virtud –areté- . La necesidad de reconocimiento social por parte de la comunidad ciudadana activa para el individuo formante de ella es mucho más fuerte de lo que pensamos a primera vista. La nueva personalidad del ciudadano democrático, resultado de su auto desarrollo mediante la actividad, es resultado, en primer lugar, de la actividad socialmente organizada, y de la ayuda de otros. La posibilidad de pervivencia de la nueva personalidad democrática depende de la existencia de la colectividad democrática, sin la cual deja de ser posible la realización del individuo . El reconocimiento hacia la comunidad democrática y el esfuerzo por que se mantenga son evidencias para el individuo. También la verdadera ciudadanía, en el sentido hondo del término que posee en la tradición republicana de la democracia, surge tan sólo de la participación activa en el movimiento. Pues ser ciudadano no es tener garantía de poseer determinados derechos otorgados por el imperium: eso es ser súbdito. Ser ciudadano es “mandar y obedecer por turno” en los asuntos públicos; esto implica que en un hipotético, y futuro, poder político democrático, en el que la ciudadanía ejerza la soberanía, ésta debe desempañar directamente, como mínimo, la facultad legislativa. Por lo tanto, la democracia, esto es, el concreto movimiento de masas ciudadanas, históricamente existente, constituido por el demos, posee un carácter ontológico. Es elemento constituyente, auto creador, que construye al agente social colectivo, al bloque social subalterno organizado que se revela contra su situación de dominio. La práctica ordenada por la democracia es una práctica nueva, constituida conforme a una concepción de las relaciones sociales, en el sentido fuerte del término, basadas en la libertad: la democracia genera una nueva cultura in nuce, allí donde se practica. La democracia construye al propio movimiento como agente social colectivo y solidario. La democracia genera la deliberación colectiva, y da lugar a la práctica directa del movimiento que modifica la situación. Desarrolla experiencia política y saber práctico. Interpela a la inclusión en el movimiento de nuevas individualidades También es el medio que permite la autoconstrucción libre y voluntaria de los individuos participantes en el movimiento que se revela contra su situación de dominio. La práctica democrática es el agente creador de la nueva sociedad, de la nueva cultura y de la nueva antropología individual, allí donde se practique y al nivel más elemental en que se practique. La práctica de la democracia, directamente, por parte de los ciudadanos organizados en el movimiento, es la energía –enérgueia, praxis- que genera la ciudadanía, y construye el demos. Otra característica que apunta en el movimiento, y que es inherente a todo movimiento democrático –esto es: “popular”- es la constitución de un bloque social, que abarca a las diversas clases subalternas, y al que la tradición de la democracia ha denominado precisamente “Pueblo”, o “demos”. El movimiento no se organiza sobre la base de la identidad de lo que nosotros entendemos en la actualidad como una clase social en el sentido actual y estrecho del término, sociológico y a la par obrerista, que las tradiciones socialdemócrata, comunista y anarquista elaboraron tras la derrota de la oleada revolucionaria de la AIT. Lo que vemos emerger es un Bloque Social, formado por una muchedumbre que incluye todos los segmentos sociales subalternos, explotados y dominados por el gran capital, esto es, a la totalidad de la plebe. Este sujeto social hoy en ciernes, que abarca conativamente a la mayoría de la sociedad, es el que ha fraguado siempre, anteriormente, como condición de posibilidad, en los periodos históricos en los que la sociedad se replanteó su propia ordenación social: la Revolución Francesa, la Revolución de 1848, la oleada revolucionaria de la AIT, durante los años sesenta del siglo XlX, la Revolución Europea posterior a la primera guerra mundial, la movilización del “68”/ 71… A esta mayoría social desposeída, explotada y dominada por los plutócratas y potentados del gran capital se le denominó, con lenguaje procedente de la Revolución Francesa, como ya adelanté, “proletariado”; y a la acción encaminada a constituir a todos los segmentos subalternos, plebeyos o populares, en facción confrontada antagónicamente contra la burguesía capitalista, se le denominó la constitución en “clase”. Podemos registrar esto en el memorable análisis histórico de los sectores constituidos bajo el nombre de “clase” durante los primeros cuarenta años del siglo XlX en Inglaterra, que realizó E. P. Thompson , el cual nos revela el carácter de bloque popular organizado que poseía el agente definido como clase. Esta característica, que permite augurar una posible organización del demos, es propia también del actual movimiento. Quienes procedemos de las organizaciones de la izquierda, debemos liberarnos de reservas doctrinarias, de índole economicista, y valorarla como muy beneficiosa. En el modelo organizativo contrario, la articulación previa de las diversas fracciones de la subalternidad de forma separada, fragua identidades segmentarias, que desarrollan las unas hacia las otras intereses particulares confrontados, alimentados por las intelectualidades orgánicas de esos proyectos cuyo modus vivendi depende de la organización estanca de su segmento social y de la desactivación de la participación como medio para conseguir la representación en exclusiva del segmento social. En esas condiciones, se pueden producir negociaciones estratégicas entre los diversos sectores subalternos organizados, pero no una deliberación incluyente de los diversos sectores sociales y de sus problemas y expectativas, capaz de generar, confianza mutua y un nuevo proyecto social común. La organización de todos los segmentos populares, subalternos, explotados y dominados por el gran capital plantea de inmediato el asunto de la hegemonía. Y lo plantea de la forma adecuada: se trata de que el movimiento lleve las deliberaciones creativas, creadoras de nuevo proyecto social, a partir de las experiencias de lucha y de los recursos civilizatorios dominados por los individuos organizados –los saberes o Dynameis, es decir, las fuerzas productivas- hasta sus últimas consecuencias, no de tratar de introducir desde fuera un recetario previamente decidido a partir de postulados afirmados. Pero el debate por la hegemonía social: el desarrollo de proyectos políticos, esto es, de alternativa de sociedad, tan sólo se puede producir como resultado de la organización, la praxis y la deliberación de un movimiento de estas características, semejante a aquellos otros bajo cuya existencia histórica se produjeron situaciones verdaderas de alternativa de sociedad. Una tercera característica del movimiento naciente es su organización transnacional, consecuencia de ese verdadero cosmopolitismo no retórico, que permite al movimiento rebasar sin problemas los marcos estatales y abre la posibilidad de que el nuevo movimiento sea capaz de articular respuestas políticas alternativas en los nuevos ámbitos regionales pluriestatales que constituyen actualmente las nuevas formaciones económico sociales instauradas por el capitalismo. Gracias a la existencia del nuevo movimiento estamos hoy en mejores condiciones de plantear una lucha sin compromisos contra el gran capital en Europa, y de tratar de establecer instituciones políticas que pongan la economía bajo control de la ciudadanía. La izquierda tradicional en la encrucijada Todas estas características que he enumerado son una novedad respecto del inmediato periodo histórico que se ha cerrado. Son prueba de que una nueva cultura política y organizativa se abre paso, como resultado de nuevas experiencias de vida. La propia cultura de los individuos, las nuevas exigencias sentidas por las subjetividades, las nuevas experiencias generadas por el mundo en que se vive, muy en especial las creadas por el capitalismo de la era de la globalización, son elementos cruciales que determinan una nueva época y marcan a las generaciones que se incorporan a la vida política. La estructuración política orgánica de este nuevo sujeto social está por venir, como el propio movimiento. Pero, si se desarrolla tendrá que reproducir las características que posee el movimiento democrático: el eventual proyecto político que surja del mismo tendrá que poseer organicidad. No sirve como inspiración la experiencia política que la izquierda ha desarrollado desde la derrota de la AIT, con excepciones momentáneas abiertas en los periodos de lucha de masas –el periodo de los consejos de los años posteriores a la primera guerra mundial, por ejemplo-. No sirven las formas políticas de los partidos de masas orgánicas de las experiencias sociales del obrero poco culto del mundo fabril estable, hoy ya desaparecido. Hace ya casi cien años, un hombre comprometido con el movimiento democrático revolucionario de su época, el movimiento de los consejos, Antonio Gramsci, escribió: “El comunismo (.) no es sino el movimiento real de rebelión de todo el pueblo trabajador, que lucha por liberarse de la opresión económica y espiritual del régimen capitalista y que, con relación a sus propias experiencias directas, construye los organismos que se revelan más idóneos para el cumplimiento de aquellos fines determinados en cada oportunidad por el mismo desarrollo de la lucha general” . La vieja izquierda ha quedado definitivamente desvinculada de su relación organizativa, directa con las masas sociales, como resultado del nuevo cambio de época impulsado por el capitalismo, que ha deshecho las antiguas bases sociales e identitarias en las que la izquierda se asentaba. A consecuencia de esto, ha perdido el norte, y sigue sin entender nada de lo que está sucediendo. Observa los nuevos acontecimientos con desconfianza e inseguridad. Oscila entre el deseo de convertir el “movimiento de movimientos” en una cantera de voto y el despecho crispado de quien sabe que su interpelación no obtiene respuesta al otro lado. Las dos características en las que se cifra su comportamiento son la comprensión de la política como representación del electorado en las instituciones del estado y la valoración instrumental de los movimientos sociales. Sí se producen incorporaciones meritorias al movimiento de grupos e individualidades, procedentes de la izquierda tradicional, normalmente provenientes de las alas izquierdas de la misma, pero ese es el límite. En otras sociedades hemos visto cómo importantes destacamentos de la izquierda de los años sesenta y setenta se han incorporado lealmente al movimiento democrático emergente y son los primeros en propulsarlo. A tener en cuenta el papel de Refundación Comunista en Italia. Como declaran las tesis presentadas por esta fuerza política realmente democrática -no temerosa del movimiento, sino comprometida muy a fondo con el mismo-, la auténtica vanguardia de la sociedad es el propio movimiento de masas, a través del cual se expresa directamente la ciudadanía. Y el papel del partido, al igual que el de las demás organizaciones y asociaciones cívicas y políticas que sean verdaderamente de izquierdas y pretendan desempeñar un papel histórico, progresista, en el presente ciclo, es promover la autoorganización libre de la ciudadanía en el seno de movimiento. Al principio de este artículo he citado un paso particularmente ilustrador, extraído de una de las importantes obras de Arthur Rosenberg, intelectual y revolucionario comprometido con la oleada democrática que se levantó como consecuencia de la Primera Guerra Mundial. Quiero volver sobre ella para reiterar que la democracia no es un mero expediente electoral. Democracia, es el nombre de un movimiento de masas articulado que es capaz de desarrollar, a partir de la lucha política organizada de la ciudadanía, y de la experiencia consiguiente de la misma, un proyecto, a la vez económico social y de construcción de nuevo poder político. Y para esperanza nuestra, la democracia despunta nuevamente en la historia y en nuestras vidas. Al igual que ocurrió en la época en que Marx y Engels escribieron el Manifiesto, la democracia vuelve a ser hoy “un movimiento histórico que se está desarrollando ante nuestros ojos”.

Valldoreix, 7 de marzo de 2003

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